São Paulo, 02 (AE) - A vereadora Maria Helena Fontes (PL) e seu filho, o policial civil e atual chefe de gabinete, Paulo Rogério Neme, vão ser denunciados à Justiça, na semana que vem, por porte ilegal de arma. O inquérito que desde agosto apura o crime de porte ilegal foi relatado pelo delegado Maurício Correali, da força-tarefa da polícia e Ministério Público Estadual que investiga a máfia dos fiscais, e encaminhado ontem ao Grupo de Atuação e Repressão ao Crime Oganizado (Gaeco) do Ministério Público.
Maria Helena está presa desde o dia 21 de dezembro no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi), acusada de coagir testemunhas e impedir as investigações sobre sua participação em esquemas de cobrança de propina. No dia da apreensão na casa da vereadora, em 4 de agosto, foram localizadas pelo menos sete armas armas no quarto do seu filho, no guarda-roupas de Maria Helena e no escritório, entre revólveres e espingardas. A vereadora foi presa em flagrante e depois liberada, mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 200,00.
Fita - No mesmo dia, promotores e delegados apreenderam uma fita de vídeo, cujos diálogos foram transcritos pelos peritos do Instituto de Criminalística. Da fita também foram feitas fotos que estão no inquérito. Nas mais de 50 fotos, Neme está no seu quarto com as armas em cima da cama e em uma delas aparece empunhando um fuzil AR-15 de uso das Forças Armadas. A fita é da festa de aniversário de Neme, em 4 de junho de 1990, quando o policial tinha 25 anos.
De acordo com o promotor Gilberto Garcia Leme, do Gaeco, um dos responsáveis pela denúncia, essas fotos podem influenciar quem vai analisar a denúncia contra Maria Helena e seu filho. "Essas fotos têm uma influência subjetiva em quem vai julgar até mesmo no que se refere à conduta dos autores", comentou Leme.
Pedido - No inquérito consta também um pedido de Neme ao Exército para que as suas armas fossem consideradas de coleção. O fato que chama atenção é que a solicitação tem autenticação em cartório, do dia 27 de agosto de 99, 23 dias após o flagrante.
Neme foi procurado no gabinete hoje pela reportagem, mas não foi encontrado. A assessoria de Imprensa de Maria Helena recomendou que a reportagem procurasse um dos advogados que estão cuidando das acusações contra a vereadora. O advogado Ricardo Saiyeg, que representa Maria Helena, também não respondeu às ligações até as 18h20.

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