Vereadora é indiciada pela 6ª vez: estelionato e coação
disse Tuma Júnior. "Quando ele me encontrou, falou: o senhor tem o santo forte." Segundo o delegado, a testemunha também conhecia o promotor Roberto Porto e se referia a José Carlos Blat como promotor do cemitério. Ele disse ainda que, em seu depoimento, o ex-assessor teria revelado que havia de um grupo de vereadores envolvidos numa ação para derrubar a força-tarefa. Maria Helena chegou num carro da Divisão de Capturas do Dird às 16h55, mas o depoimento só começou por volta das 18 horas. O motivo do atraso foi a exigência do delegado Maurício Correali de que a vereadora falasse na presença de advogados. Como ela chegou sozinha, teve de ligar para a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e os advogados Leonardo Massud e Alexandre Magno Grandese foram ao IC acompanhar o depoimento. Na entrada, não quis dar declarações à imprensa. "Só falo ao vivo, pois deturparam tudo que eu falei ontem", disse. Ao contrário de Maria Helena, o ex-assessor quis falar. À imprensa, afirmou que foi espancado a mando da vereadora após prestar depoimento, no dia 3 de dezembro. O suposto espancamento foi um dos motivos que justificam a prisão temporária de Maria Helena. "Antes disso eu já tinha apanhado duas vezes, uma vez pela própria vereadora, em anos passados", afirmou. Segundo a testemunha, três assessores da vereadora o procuraram em sua casa após prestar depoimento para o delegado Maurício Correali, no Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), no início do mês. "Eles falaram que a vereadora queria falar comigo", disse a testemunha. No caminho para a casa da parlamentar, os três teriam dado socos e pontapés e o teriam ameaçado de morte. "Eles disseram que cagueta tem de morrer", afirmou. Ao chegarem na casa da vereadora, a parlamentar também teria repetido as ameaças. Os três homens estão com a prisão temporária decretada e estão sendo procurados pela polícia. Na segunda-feira seguinte, data em que prestaria novo depoimento no Dird, o ex-assessor teria sido levado para o interior junto com sua esposa. No caminho, as pessoas teriam tentado convencê-lo mais uma vez a não comprometer Maria Helena na polícia. Até 1994, a testemunha, que se define como líder comunitário da zona norte, trabalhou com o ex-vereador e ex-deputado Hanna Garib. Nessa época, o ex-deputado teria solicitado para que passasse a trabalhar para Maria Helena. "Ele disse que era para eu ajudar outro político da região norte, que era a Maria Helena", disse. Ele foi então morar na casa da vereadora. "Ela gostava que seus assessores ficassem por perto, para fazer algum trabalho emergencial." Esses trabalhos seriam, por exemplo, arrancar cartazes de políticos adversários de Maria Helena. O salário da testemunha, de R$ 500,00 por mês, era pago com dinheiro recolhido dos salários de funcionários do gabinete de Maria Helena, na Câmara Municipal. Em 1995 e 1996, o ex-assessor voltou a trabalhar com Garib, que estava se candidatando a deputado estadual. "Ela apoiou o Garib para tornar-se a única vereadora da região, pois ele iria para a Assembléia", explicou. Na entrevista, a testemunha disse ainda que a vereadora é uma "pessoa forte", ligada a delegados, promotores e até a traficantes da região norte. Apenas em esquemas de administrações regionais, segundo ele, a vereadora ganhava cerca de R$ 600 mil por mês. O delegado Romeu Tuma Júnior disse que as acusações da vereadora de que ele teria tentado extorqui-la são falsas. "É uma tentativa de desmoralizar a investigação e as afirmações mostram um desrespeito à Justiça", afirmou.Por Marcus Lopes e Luciana Garbin São Paulo, 22 (AE) - A Polícia indiciou agora à noite a vereadora Maria Helena (PL) por estelionato e coação de testemunha, depois de seu depoimento de mais de três horas no Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), no Instituto de Criminalística (IC). É o sexto indiciamento da parlamentar, que responde também por peculato, porte ilegal de armas, formação de quadrilha e calúnia e difamação. Maria Helena é acusada de tentar impedir o depoimento de um ex-assessor aos delegados e promotores que investigam a máfia dos fiscais. O nome do ex-assessor está sendo mantido em sigilo e suas informações, dadas também hoje, foram consideradas fundamentais no inquérito que investiga a parlamentar. O indiciamento por estelionato veio da ligação de Maria Helena com Fabiano Leite Sá Lima, acusado de tentar extorquir o vereador Salim Curiati Júnior. Após o depoimento, que terminou às 21h10, a vereadora foi levada novamente ao 89º Distrito Policial. Ela foi presa ontem (21) sob a acusação de tentar coagir testemunhas das investigações e participar de um suposto plano para eliminar membros da força-tarefa que investigam a máfia. Em seu depoimento, o ex-assessor de Maria Helena teria contado detalhes de uma tentativa de assassinato do delegado Romeu Tuma Júnior. O delegado, na versão do ex-assessor, seria eliminado por pessoas ligadas a sete vereadores após uma entrevista no programa Evê Sobral em Revista, da CNT Gazeta, em abril deste ano. Ele não quis revelar os nomes. "O que me impressionou e convenceu foi o fato de o ex-assessor da vereadora ter dado detalhes e falar, por exemplo, do blusão de couro que eu usava no dia e das pessoas que me acompanhavam"





