São Paulo, 22 (AE) - A vereadora Maria Helena (PL) é acusada de ter tentado impedir o depoimento de um ex-assessor seu para delegados e promotores que investigam a máfia dos fiscais. O depoimento do ex-assessor, cujo nome está sendo mantido em sigilo, é considerado fundamental no inquérito que investiga a parlamentar, presa ontem acusada de tentar coagir testemunhas das investigações da máfia dos fiscais e participar de um suposto plano para eliminar membros da força-tarefa que investiga a máfia.
Em entrevista à imprensa hoje, o ex-assessor afirmou que foi espancado a mando da vereadora após prestar depoimento, no dia 3 de dezembro. O suposto espancamento foi um dos motivos usados no pedido de prisão temporária de Maria Helena. "Antes disso eu já tinha apanhado duas vezes, uma vez pela própria vereadora, em anos passados", afirmou. Segundo o ex-funcionário
três assessores da vereadora o procuraram em sua casa após prestar depoimento para o delegado Maurício Correali, no Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), no início do mês.
"Eles falaram que a vereadora queria falar comigo", disse a testemunha. No caminho para a casa da parlamentar, os três teriam dado socos e pontapés e o teriam ameaçado de morte. "Eles disseram que caguete tem de morrer", afirmou. Ao chegarem na casa da vereadora, a parlamentar também teria repetido as ameaças. Os três homens estão com a prisão temporária decretada e estão sendo procurados pela polícia.
Na segunda-feira seguinte, data em que prestaria novo depoimento no Dird, o ex-assessor teria sido levado para o interior junto com sua esposa. No caminho, as pessoas teriam tentado convecê-lo novamente a não comprometer Maria Helena na polícia. A testemunha, que também trabalhou com o ex-vereador e ex-deputado Hanna Garib, contou detalhes do suposto plano para matar o delegado Romeu Tuma Júnior, que investiga a vereadora.
O delegado, na versão dele, seria eliminado por pessoas ligadas à Maria Helena após dar uma entrevista em um programa de televisão, no mês passado. Líder - Até 1994, o ex-assessor, que se define como um líder comunitário da zona norte, trabalhava para Garib. Nessa época, o ex-deputado teria solicitado para que passasse a trabalhar para Maria Helena. "Ele disse que era para eu ajudar outro político da região norte, que era a Maria Helena", disse. Ele foi então morar na casa da vereadora. "Ela gostava que seus assessores ficassem por perto, para fazer algum trabalho emergencial".
Esses trabalhos seriam, por exemplo, arrancar cartazes de políticos adversários de Maria Helena. O salário da testemunha, de R$ 500,00 por mês, era pago com dinheiro recolhido dos salários de funcionários do gabinete de Maria Helena, na Câmara Municipal. Em 1995 e 1996, o ex-assessor voltou a trabalhar com Garib, que estava se candidatando a deputado estadual. "Ela apoiou o Garib para tornar-se a única vereadora da região, pois ele iria para a Assembléia", explicou.
Na entrevista, a testemunha disse ainda que a vereadora é uma "pessoa forte", ligada a delegados, promotores e até a traficantes da região norte. Apenas em esquemas de administrações regionais, segundo ele, a vereadora ganhava cerca de R$ 600 mil por mês. Delegado - O delegado Romeu Tuma Júnior disse hoje que as acusações da vereadora de que ele teria tentado extorquí-la são falsas. "É uma tentativa de desmoralizar a investigação e as afirmações mostram um desrespeito à Justiça", disse o delegado. A vereadora chegou às 16h55 para prestar depoimento no Dird e não quis conversar com a imprensa. "Só falo ao vivo pois deturparam tudo que eu falei ontem", disse.

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