Vereadora do PPB de Ilha Solteira terá gastos com viagens investigados
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Antônio José do Carmo 
Ilha Solteira, SP, 22 (AE) - A vereadora Marly de Lourdes Souza da Silva (PPB), que presidiu a Câmara de Ilha Solteira, a 680 quilômetros de São Paulo, em 1998, terá os gastos com viagens investigados por uma comissão especial de inquérito (CEI). Além de gastar acima do que uma lei municipal determina, ela autorizou pagamento de notas de viagens superfaturadas do ex-vereador Severo de Souza Filho (PPB), cassado em outubro passado pela Câmara.
O presidente da CEI, Antônio Carlos da Silva (PT), disse Souza Filho perdeu o mandato porque contratou irregularmente uma corretora de seguros que vendeu apólices com valores exorbitantes para o tipo de cobertura que prestava aos vereadores e funcionários da Câmara. Para Silva, a vereadora também poderá enfrentar uma comissão processante (CP) e até perder o mandato, caso seja confirmado o envolvimento dela.
O pedido de abertura da comissão de inquérito foi apresentado por cinco dos 11 vereadores. A Câmara de Ilha Solteira é a única da região que estabeleceu limites para pagamento de diárias em hotéis e refeições em restaurantes. Uma hospedagem não pode custar mais de 90 reais e um almoço ou jantar não pode ir além dos 30 reais. Mas, segundo o presidente da CEI, Lourdes, quando esteve na presidência da Casa, pagou mais de 500 reais por uma diária de hotel. Além disso, pagou várias outras do vereador cassado.
Em dois anos e meio de mandato, Souza Filho gastou R$ 35 mil em viagens a São Paulo e Brasília. Algumas, consideradas de "interesse público", foram autorizadas em dias comemorativos, como as vésperas de Natal de 1997 e 1998. Na contabilidade pública, foram apresentadas refeições únicas no valor de 70 reais e diárias de hotéis acima dos 600 reais, conforme afirmou o presidente da CEI.
A constatação do superfaturamento ocorreu após o vereador perder o mandato, mas os documentos foram encaminhados ao Ministério Público (MP) e poderão se transformar numa ação de execução. Segundo o vereador Carlos da Silva, R$ 15 mil é o valor pago acima do que determina a lei municipal. No caso de Lourdes, ainda não foi concluído o levantamento das despesas. Na segunda-feira (27), está marcada a primeira audiência para tomadas de depoimentos na comissão de inquérito. Lourdes, que será ouvida, disse hoje que não cometeu qualquer irregularidade.
Segundo ela, "os valores pagos foram os valores de direito e a investigação acontece porque é ano eleitoral e estão tentanto eliminar uma concorrente". Já o vereador cassado não foi localizado para comentar sobre as notas superfeturadas. Na Câmara, informaram que ele mudou o número do telefone e ninguém sabe qual é.


