Vereadora do PPB aposta em rejeição das duas propostas de CPI
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 22 (AE) - Depois das três tentativas de homicídio contra pessoas que denunciaram ou citaram a participação de fiscais e vereadores em supostos esquemas de corrupção nas administrações regionais, os parlamentares da bancada governista continuam divididos em relação à instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Regionais.
Na sessão de amanhã voltam a ser discutidos os dois pedidos de CPI. Um foi apresentado pelo vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT) e o outro, pelo vereador Brasil Vita (PPB). Vita livrou os vereadores de uma eventual investigação. Os governistas querem, também, incluir a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina.
A secretária-geral da Comissão de Ética Nacional do PPB e vereadora pelo partido, Myryam Athie, afirmou hoje ter conversado com vários parlamentares nos últimos dias e garantiu que a maioria dos integrantes da bancada de apoio ao prefeito Celso Pitta (PPB) na Câmara decidiu rejeitar os dois pedidos de CPI que estão na pauta de votação. "Esse caso já está sendo investigado pelo Ministério Público e pela polícia, portanto uma CPI não vai acrescentar nada e será apenas um palanque político", justificou Myryam.
De acordo com a vereadora, a obrigação da Câmara é acelerar a votação dos projetos enviados pelo Executivo que formam o chamado "pacote anticorrupção". Há alguns dias, Pitta mandou para o Legislativo vários projetos de lei propondo alterações no setor de fiscalização das administrações regionais. Em dezembro, propôs a criação de uma Corregedoria do Serviço Público Municipal.
Apesar de Myryam Athie afirmar que a maioria dos vereadores da situação deve rejeitar os dois pedidos de CPI, há divergências dentro do próprio PPB. O vereador Miguel Colasuonno disse hoje que a bancada governista está comentando um "grande engano".
"É um erro achar que a população vai parar de cobrar uma posição da Câmara com essas estratégias de protelar a votação ou rejeitar as CPIs", argumentou Colasuonno. Inicialmente, o vereador era contra a investigação e acabou mudando de idéia diante da "gravidade da situação".
"A única forma de a Câmara dar uma resposta à sociedade é aprovar a CPI proposta pelo PT, porque precisam entender que não existe mais meia moral em política e acabaremos todos sob suspeita", completou. O presidente da Câmara, Armando Mellão (PPB), disse que, se faltar um voto para aprovar qualquer um dos dois requerimentos de CPI, votará a favor. Como presidente, Mellão não participa das votações.


