Vereadora do PL é presa na Câmara de SP
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terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Marcus Lopes e José Gonçalves Neto 
São Paulo, 21 (AE) - A vereadora Maria Helena (PL) foi presa hoje à tarde, nas dependências da Câmara de São Paulo. Ela teve decretada prisão temporária por cinco dias, pelo espancamento de uma testemunha ouvida pela força-tarefa que investiga a atuação da máfia dos fiscais na capital e por ameaças feitas a delegados e promotores que integram o grupo.
Antes de ser detida, a parlamentar participara normalmente da sessão da Câmara na qual foram apreciadas emendas apresentadas ao projeto de Orçamento. Maria Helena foi levada ao 89.º Distrito Policial (DP), no Morumbi, zona sul, onde chegou às 19h30.
Dizendo-se "supertranquila", a vereadora negou todas as acusações e atribuiu a prisão "a uma armação do delegado Romeu Tuma Júnior". "Devemos perder o medo de denunciá-lo só porque ele é delegado e filho de senador?"
Fontes da Polícia Civil informaram que, há duas semanas, uma testemunha, cuja identidade está sendo mantida em segredo, confirmou, em depoimento prestado no Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird), no Butantã, zona oeste, que Maria Helena e pessoas ligadas a ela tinham um plano para intimidar delegados e promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaecco).
Convocada para depor novamente na semana passada, a testemunha não compareceu ao Dird para prestar os esclarecimentos adicionais. A polícia saiu, então, no encalço dela e descobriu que ela tinha sido espancada. Aos integrantes da força-tarefa, a testemunha disse que os responsáveis pela agressão eram pessoas ligadas a Maria Helena.
Com base nessas informações, a polícia pediu ao juiz Maurício Lemos Porto Alves, do Departamento de Inquéritos Policiais e Corregedoria da Polícia Judiciária (Dipo) a decretação da prisão da vereadora. O Gaecco informou que a Justiça concedeu a prisão temporária de Maria Helena pelo prazo de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco.
Fontes da polícia informaram ainda que o depoimento da testemunha agredida confirma parte da história denunciada em agosto pela ex-assessora de Maria Helena Alessandra Garcia e pela ex-assessora do vereador Curiati Júnior (PPB). Em depoimentos, as duas tinham denunciado o esquema de intimidação de delegados e promotores supostamente montado por Maria Helena.


