São Paulo, 07 (AE) - O motorista Carlos Eduardo Assunção - despedido em maio da empresa Vega Engenharia Ambiental - trabalha no escritório político da vereadora Maria Helena (PL) e ficou lotado de novembro de 1998 a abril de 1999 no gabinete dela, ao mesmo tempo em que trabalhava para a empresa. A vereadora controla a regional de Santana, onde ele deveria, como funcionário da Vega, de fato ter trabalhado. A empresa presta serviços de limpeza à regional.
Esses dados comprovam as denúncias feitas ao longo da semana por Alessandra Garcia, ex-assessora da vereadora. Ela contou à polícia que Maria Helena desviava funcionários e recursos da Vega, cedidos à regional, como também fazia a vereadora Maeli Vergniano (sem partido).
Maeli foi indiciada pela polícia e responde a processo de cassação na Câmara. Maria Helena chegou a ser presa por porte ilegal de armas, mas foi solta após pagar fiança.
As duas vereadoras são amigas. Maeli controlava a regional de Pirituba, onde a Vega também presta serviços. Maria Helena é um dos membros da Comissão Processante que analisa a perda do mandato de Maeli. A Vega também é a responsável pela coleta de lixo na AR- Freguesia do à, que Maria Helena controlou de 1997 até o fim do ano passado. Hoje está sob o domínio político do vereador José Viviani Ferraz (PL).
Dupla função - Segundo a própria Vega, o motorista Assunção trabalhou na empresa de 1.º de setembro de 1997 a 21 de maio deste ano. O duplo emprego na Câmara ocorreu de 19 de novembro de 1998 - quando a vereadora passou a controlar a regional de Santana - a 27 de abril de 1999, quando trocou o gabinete da vereadora pelo escritório político na Freguesia do à - onde é o responsável pela colocação de faixas da parlamentar.
A exoneração de Assunção do gabinete de Maria Helena ocorreu dez dias após a divulgação das denúncias contra Maeli, que provocaram a inclusão do nome dela nas investigações da Comisão Parlamentar de Inquérito dos Fiscais. Assunção não poderia prestar serviços para a vereadora, nem públicos nem particulares. O contrato da regional de Santana com a Vega prevê a cessão temporária de carros e motoristas para o trabalho na própria regional.
A exemplo da resposta que deu no caso de Maeli, a empresa alega que desconhecia o duplo emprego de Assunção, conhecido entre os correligionários de Maria Helena como Edu. "Se ele fez isso, o problema é da regional", disse o assessor de comunicação da Vega, Mauro Lopes.
O administrador regional de Santana é Antonio Attencia Neto, que responde a procedimento disciplinar na Secretaria dos Negócios Jurídicos por conta de irregularidades na regional da Freguesia do à. Ele era o Supervisor de Obras e Serviços Públicos - entre eles o de limpeza - da Freguesia.
O nome de Attencia foi citado em depoimento à polícia pelo ex-regional da Freguesia Milton de Jesus, hoje motorista na regional de Santana, como beneficiário de um esquema de corrupção na regional.
O esquema, negado por Jesus após uma visita ao gabinete da vereadora - onde reluzia na mesa um revólver 32 -, seria comandado, conforme denunciou inicialmente à polícia, por Maria Helena e, na regional, pelo irmão dela, Odair Pacheco Pereira. Pereira tinha uma sala na regional, onde exercia a função de administrador "de fato". Jesus era apenas o regional oficial. Em Santana, voltou à sua função original, a de motorista.
Além da sindicância aberta para apurar supostas irregularidades cometidas por Attencia e seus subordinados, a Prefeitura abriu esta semana uma sindicância para investigar irregularidades na aplicação do contrato com a Vega na regional da Freguesia do à, detectadas em auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM).
O TCM constatou que a regional da Freguesia tinha despesas sem ordenação de recursos - uma ilegalidade - e, de 1997 para 1999, houve alteração nos dados sobre a extensão das Marginais do Pinheiros e do Tietê. Os funcionários da regional "inventaram" quatro Marginais. Procurada para comentar essas questões, Maria Helena não foi localizada.
O delegado Romeu Tuma Júnior acusado pela vereadora de ter junto com os promotores da força-tarefa, que apura a máfia dos fiscais, tentado extorquir dinheiro dela, informou ter encontrado documentos no cofre apreendido na casa de Maria Helena que poderão ligar ao esquema de propinas com as regionais de Santana e Freguesia do à. "Ela disse que o cofre estava vazio mas pelo que encontramos e estamos analisando a situação é bem outra." O cofre foi aberto pelos peritos do Instituto de Criminalística.
Segundo Tuma, a vereadora foi intimada para estar na segunda-feira (09), às 15 horas, na sede do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird) para ser interrogada no flagrante de porte ilegal de armas. Os R$ 17 mil encontrados numa frasqueira na residência da vereadora foram apreendidos porque seria dinheiro de pagamento de fiscais. "As testemunhas ouvidas nos indicaram o local exato onde ela costumava guardar o dinheiro da propina dado pelos fiscais e por isso a apreensão faz parte do inquérito."
Os promotores deverão ouvir ainda o filho de Maria Helena, o investigador de polícia Paulo Neme, e estudam também ouvir o ex-marido, o investigador aposentado Alberto Assef Neme que trabalhou no gabinete da vereadora.

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