Vereadora depõe na polícia e nega acusações
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 27 (AE) - A vereadora Maeli Vergniano (sem partido) prestou depoimento hoje ao delegado Romeu Tuma Júnior. Ela é acusada de obter privilégios da empresa Vega Ambiental S.A
empresa responsável pela limpeza pública na região de Pirituba, zona oeste, área que a vereadora exercia influência política. O depoimento começou por volta das 15 horas e até omcomeço da noite ainda não havia terminado.
As investigações recaem sobre as denúncias levantadas pelo jornal "O Estado de S.Paulo". Em uma reportagem publicada no domingo retrasado, foi revelado que a empresa Vega pagava carro, motorista, e combustível para uso particular da vereadora. Maeli chegou à Divisão de Investigação e Registros Diversos (Dird), às 13h40. Na chegada, aparentava tranquilidade e brincou com os repórteres, mas se negou a dar entrevista. Ela chegou acompanhada de sua advogada, Elaine Borges dos Santos.
"As denúncias são graves e devem ser investigadas com cuidado", disse o delegado Tuma Júnior. Às 16h30, houve uma pausa no depoimento. Segundo o delegado, a vereadora procurava demonstrar tranquilidade e admitiu que conhecia algumas pessoas, entre elas o motorista Antonio Rodrigues, que trabalha para a Vega e foi flagrado pela reportagem. Segundo o promotor Roberto Porto, que acompanhou o depoimento, Maeli estava negando as acusações. Ela admitiu, no entanto, que conhecia o motorista. Rodrigues, de acordo com o promotor, seria um "amigo da família" e que estava insatisfeito com o trabalho na Vega. Às vezes ele ia até o gabinete da vereadora, na Câmara Municipal, e
apenas uma vez, segundo a vereadora, levou seus filhos no colégio.
O motorista, disse Porto, trabalhou na campanha política da vereadora. A parlamentar disse ainda que é possível que o motorista tenha conseguido o emprego na Vega por indicação do gabinete. "Ela disse que é uma praxe do gabinete mandar cartas de indicação para empresas", disse Porto. Após ser ouvida por Tuma Jr, estava previsto outro depoimento de Maeli para o delegado Itagiba Franco, que investiga as supostas irregularidades na contratação de funcionários da Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo. Segundo Franco, foram encontrados três assessores que trabalham com Maeli, mas recebem seu salário pelo Anhembi. Jaçanã - O delegado Naief Saad Neto ouviu hoje o ex-funcionário do gabinete do vereador Cosme Lopes (PPB), Wilson Roberto Fernandes, preso ontem. Ele é acusado de receber propinas da empresa Labitare, que abriu vários loteamentos clandestinos na região da Cantareira, zona norte. Fernandes e outro ex-funcionário de Lopes, Carlos Roberto Machado, são acusados de receber mais de R$ 30 mil da empresa. Machado, que também está detido, deve ser ouvido amanhã.
Segundo o delegado Saad, Fernandes negou ter recebido propinas da Labitare. Ele contou que era contratado como assessor parlamentar no gabinete de Lopes, mas que trabalhava como motorista do vereador. Seu salário variava entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, por causa das gratificações. Em relação aos cheques encontrados pela polícia, Fernandes acredita que eles são referentes a pagamentos da Labitare para Machado, que possui uma fábrica de blocos de concreto na região. "Ele disse que os cheques devem ter sido usados para pagar os blocos", informou Saad.
Fernandes disse ainda que ficou sabendo que os loteamentos da Labitare eram clandestinos no ano passado, após uma reunião com o então secretário municipal da Habitação, Lair Krahenbuhl. O delegado Saad deve ouvir novamente o vereador Lopes antes da conclusão do inquérito. Na época das denúncias, o vereador, que nega qualquer participação no suposto esquema, demitiu os assessores.


