São Paulo, 06 (AE) - A vereadora Maria Helena (PL) acusou o delegado Romeu Tuma Júnior de tentar extorquir R$ 200 mil para tornar afiançável o crime de porte ilegal das armas encontradas em sua residência no Horto Florestal na noite de quarta-feira. "Ele disse: olha, eu posso te ajudar, mas tem de ser uma coisa cautelosa por causa dos promotores", relatou.
Segundo a vereadora, o delegado teria dito a ela que "assumisse" apenas três das cinco armas apreendidas. A vereadora também envolveu os promotores Roberto Porto e José Carlos Blat na tentativa de extorsão. "Foi o Tuma que falou que tínhamos de bolar uma história e nisso os promotores participaram", acusou. "Falei que ia dizer que as armas foram deixadas por um irmão que morreu e os três concordaram." Nesse momento, outro delegado teria chegado e eles mudaram de assunto.
"Quem fez o pedido de R$ 200 mil foi o Tuma, para que eu fosse autuada no artigo que fosse afiançável, porque se tivesse que... ele ainda usou esse termo... se tivesse que entrouxar todas as armas, não poderia ter a fiança", relatou.
Maria Helena contou ainda que estava com a fita com as vozes das ex-assessoras Alessandra Cruz Garcia e Maria Aparecida Nunese Fabiano Sá Lima e Tuma a teria orientado a não entregá-la. "Ele falou assim: Leva a fita de volta não entrega agora. Você vem às 2 horas, e traz o dinheiro, a fita e a agenda da ex-funcionária." A vereadora disse que tentou conseguir preparar o flagrante da extorsão. "Só que ele descobriu alguma coisa", afirmou.
O delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, declarou hoje que a acusação de tentativa de extorsão que a vereadora Maria Helena diz ter sofrido por parte de Tuma Júnior e dos promotores "é grotesca e não passa de um jogo".
Desgualdo afirmou que se a vereadora não provar suas declarações será processada pela Polícia Civil. "O doutor Tuma tem o nosso aval e vai continuar trabalhando na força-tarefa apurando as acusações envolvendo a vereadora e outras pessoas", afirmou.
Hoje à tarde, no instante em que Maria Helena fazia as acusações ao policial e aos promotores, Tuma estava reunido na Secretaria da Segurança com Desgualdo e o secretário Marco Vinicio Petrelluzzi. Segundo Desgualdo, foi uma reunião de rotina. "Realizamos esse encontro semanal para sabermos diretamente dos policiais da força-tarefa como estão as investigações."
O chefe da Polícia Civil adiantou que a linha de conduta do delegado nas apurações é correta, "pura e cristalina." As provas que estão sendo obtidas fazem parte do inquérito. "Vamos prosseguir doa a quem doer."
O promotor Roberto Porto informou hoje que os depoimentos das ex-assessoras mostram consistência com relação à denúncia de que a vereadora Maria Helena recebia propinas do esquema montado na Administração Regional da Freguesia do à. De acordo com Porto
Alessandra e Maria Aparecida revelaram que Maria Helena guardava o dinheiro das propinas numa frasqueira preta, dentro do guarda-roupa de seu dormitório.
Na quarta-feira, quando a polícia e o Ministério Público fizeram apreensão de armas, documentos, microcomputadores na casa da vereadora, no Horto Florestal, foi encontrada a frasqueira preta, que as ex-assessoras haviam indicado. "Na frasqueira tinha R$ 17 mil." Em outro compartimento do armário, os policiais encontraram R$ 3,8 mil.
"Não dá para afirmar que esse dinheiro seja mesmo procedente de arrecadação de propinas, mas mostra a idoneidade do depoimento das moças; é um quebra-cabeças que começa a ser montado" concluiu.

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