São Paulo, 29 (AE) - O depoimento do vereador José Izar (PFL) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, hoje pela manhã, foi marcado por contradições. A primeira delas ocorreu quando ele negou conhecer o presidente de um dos sindicato de camelôs da Lapa, conhecido por Zé do Amendoim. Logo em seguida, durante o depoimento, ele admitiu conhecer o sindicalista.
Outra contradição ocorreu com relação ao controle administrativo da AR-Lapa. O vereador admitiu interferir na decisão de manter o funcionário Amauri Rippa, mas, ao mesmo tempo, disse que o "controle era só político, nunca administrativo".
Dos fiscais acusados de achacar empresários na Lapa, Izar afirmou conhecer apenas Rippa. O vereador disse ainda que tanto ele como seu irmão iam à regional apenas de 45 em 45 dias. "Nunca demorarei mais do que dez minutos lá", disse. "Só ia à regional para reivindicar serviços que a população dizia que estavam demorando para serem feitos."
Acusado de receber propinas na região da Lapa e de ter utilizado a regional para, entre outras coisas, favorecer a campanha de seu irmão, Williams Izar, o vereador negou em quase três horas todas as denúncias envolvendo seu nome. "É fácil acusar, quero ver provar", disse. "Graças a Deus, ninguém provou nada."
Acompanhado por dois advogados, Izar afirmou que só soube das denúncias por meio da imprensa. "O depoimento do vereador José Izar colide com outros depoimentos e provas apresentados nessa CPI e essas contradições terão de ser apreciadas pela comissão para que se tome uma posição final", afirmou o presidente da CPI, vereador José Eduado Martins Cardozo (PT).
Logo no início do depoimento, ele disse que quis ser vereador para poder ajudar a população, em especial as pessoas mais carentes. Também citou alguns de seus projetos que foram transformados em leis. Entre eles estão o uso de carrinhos de bebês em supermercados, de copos descartáveis em bares e restaurantes e a instituição do Dia do Torcedor Corintiano.
O vereador afirmou ainda em seu depoimento que vem recebendo ofensas e ameaças de morte pelo telefone.

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