Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A idéia do vereador Paulo Mantovani (PSDB) de limitar o horário de funcionamento de bares e lanchonetes de Maringá considerados ‘‘perturbadores da ordem’’ está causando polêmica. O vereador garante que está baseado em levantamentos estatísticos e opiniões de eleitores. Ele deu início a uma pesquisa na cidade com a intenção de sentir a receptividade da sua idéia. Mantovani admite que este movimento é ponto de partida para um futuro projeto de lei.
Segundo o vereador, o objetivo é propor aos estabelecimentos que não oferecem segurança e ‘‘afrontam a ordem pública’’ o fechamento a partir das 23 horas ou a uma 1 hora. ‘‘Estou esperando o retorno da idéia, mas já percebi que o povo está a fim de dormir cedo e não aguenta mais bares vizinhos com turmas jogando baralho e bebendo até altas horas da madrugada’’, argumenta Mantovani.
O vereador se baseia em uma pesquisa – segundo ele, captada no Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares (SindiHotel-Maringá) – em que 90% dos estabelecimentos são tocados por famílias e não causam problemas. ‘‘Os outros 10% são considerados de riscos e estão localizados em sua maioria em bairros’’, explica Mantovani.
O presidente do SindiHotel, Paulo Pedro Poltronieri, afirma que o sindicato não tem este tipo de levantamento e que as leis vigentes, como o horário de respeito ao silêncio a partir das 22 horas, dão conta de eventuais problemas. ‘‘Um estabelecimento aberto ao público está sujeito a problemas, mas isso não significa motivo para se criar uma lei’’, lembra Poltronieri.
Segundo ele, o SindiHotel congrega 1.600 pontos comerciais na cidade e não tem registrado ocorrências graves envolvendo donos e frequentadores de bares.
Para o vereador, a perturbação causada por bares se limita a locais mais abertos, com mesas em calçadas ou que reúnem turmas para jogos. ‘‘Não estou falando de restaurantes, lanchonetes ou casas noturnas que oferecem até isolamento de som’’, defende Mantovani que é proprietário em Maringá de uma casa noturna.
O delegado-operacional da 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP), Paulo Roberto Machado, acredita que a idéia para limitar a abertura de bares irá atingir somente os ‘‘pequenos’’. ‘‘A questão social envolvida é muito mais relevante e grave se levarmos em consideração que muitas famílias sobrevivem com portas abertas de botecos. Além disso, o problema das bebidas alcóolicas, por exemplo, é ainda mais sério’’, reflete o delegado.
Ele disse que não há nenhuma estatística sobre a influência do álcool nos índices de criminalidade, mas sabe, que muitos bares abrigam desocupados. ‘‘Quando realizamos operações, fazemos em horários diferentes. Afinal, um trabalhador dificilmente vai estar em um bar em plena tarde’’, observa Machado. Segundo ele, o maior movimento dos bares, principalmente em bairros, acontece a partir das 18 horas. ‘‘Nesta hora, está cheio de trabalhadores que antes de irem embora passam no bar para beber’’, acrescenta o delegado.
Machado ressalta que é neste ponto que a bebida de álcool causa problemas sociais, cuja solução porém, não está em ‘‘medidas estranhas’’. Para Poltronieri, atitudes como esta do vereador são ‘‘toleradas apenas em política’’ e não levam em consideração questões mais relevantes da comunidade. ‘‘Isso sem falar do princípio da liberdade, que em uma possível limitação de abertura dos bares, não seria respeitado’’, avalia o presidente do SindiHotel.
Eleitoreira ou não, a idéia do vereador persiste e segundo ele, atende a critérios sociais. ‘‘Visitei o sanatório de Maringá e constatei que 160 internos sofrem de cirrose hepática. O Hospital Regional de Jandaia do Sul também está lotado com este tipo de problema causado pelo álcool’’, pondera Mantovani.
De acordo com o vereador, dezenas de donas de casa ligam para o seu gabinete reclamando do ‘‘mal’’ que os bares frequentados pelos maridos provocam em suas famílias.

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