Vereador pede apuração de suspeita de fraude contra o SUS em Campinas
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 18 (AE) -O presidente da Câmara de Campinas, Tadeu Marcos Ferreira (PMDB), pediu hoje ao Ministério Público a abertura de inquérito para apurar uma suspeita de fraude cometida pelo Hospital Municipal Mário Gatti contra o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a denúncia, o hospital teria recebido R$ 360,34 por uma internação de quinze dias que não aconteceu. A direção da unidade rebateu a acusação informando, através de sua assessoria, que tudo não passou de um mal entendido.
A denúncia foi feita ao presidente da Câmara pelo funcionário do Legislativo José Reinaldo Ferreira. Ele diz que, no ano passado, procurou atendimento no hospital depois de passar mal e suspeitar que se tratava de um infarte. Ao examiná-lo, porém, o plantonista constatou que o caso não era grave e o liberou no mesmo dia, sem indicar internação.
No início desse mês, o funcionário recebeu uma carta do SUS, na qual o órgão solicita o preenchimento de um questionário para verificar a qualidade de atendimento nas unidades hospitalares. "Ele ficou surpreso ao constatar que, por um simples atendimento, o hospital havia cobrado R$ 360,34", disse o presidente do Legislativo. Na carta, consta que o paciente havia permanecido internado no hospital de 09 a 23 de dezembro de 99, devido a uma "sutura de ferida com o sem debridamento".
"Se a praxe no hospital é a mesma constatada nesse caso
o SUS está sendo lesado de forma vergonhosa", disse o vereador. Segundo ele, a fraude, caso seja constatada, estaria provocando prejuízo a outros hospitais e à população mais carente, já que a unidade é uma das poucas na região que atendem pelo SUS. O presidente do Legislativa pede ao Ministério Público a abertura de inquérito para "aferir a cobrança indevida".
O presidente do hospital, Rhama Freitas da Silva, nega a acusação e diz que tudo não passou de um "mal entendido". Por meio de sua assessoria, ele informou que a ficha enviada junto com a carta ao funcionário da Câmara é, na verdade, de um paciente homônimo. A pessoa que ficou internada chama-se José Reinaldo Ferreira da Silva.
Segundo o presidente do hospital, será fácil demonstrar que se trata de um equívoco. Ele garantiu ter as duas fichas para provar a existência dos pacientes homônimos. Ele acrescenta
porém, que o autor da denúncia terá de responder pelo "ato impensado". Hoje Silva protocolou um documento no Legislativo pedindo que o presidente tome providências administrativas contra o funcionário.


