Vereador faz campanha contra terceirização
Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
Embasado no parecer de dois juristas de São Paulo, que considera inconstitucional a cobraça terceirizada da dívida ativa dos municípios, o presidente da Câmara de Vereadores de Paranavaí, Lauro Machado (sem partido), promete uma campanha contra a licitação do serviço.
A única empresa que apresentou proposta, a Monreal, de Campo Grande (MS), e que já atua em Maringá, foi homologada na última quinta-feira. Embora outras seis empresas adquiriram o edital, apenas a Monreal entregou a documentação em tempo hábil, diz o chefe da Divisão de Patrimônio e Licitação da prefeitura, Delso Moriggi. A empresa preenche todos os requisitos e deve iniciar o serviço em 30 dias.
Para Machado, o Legislativo precisa tomar uma posição diante da inconstitucionalidade do projeto. O correto para ele seria a prefeitura aproveitar a estrutura existente, com três dos seis adogados que prestam serviço à administração e outros profissionais da área, para realizar a cobrança. Ele adiantou que espera resposta do Tribunal de Contas (TC) de consulta sobre o assunto.
O procurador jurídico do município, Fábio Franco contesta Machado. Ele cita o Código Tributário Municipal e o Nacional (CTN), que permitem a transferência da cobrança da dívida ativa. Só delegamos à empresa terceirizada o poder de arrecadar tributos e não de fiscalizar, afirma. Franco diz ainda que o TC já foi consultado e informou que não existe irregularidade.
O procurador jurídico da Câmara, Abílio Noronha Dias, contesta a versão de Franco. Dias afirma que o Código Tributário Municipal só permite a delegação de serviços entre instituições públicas. O CTN se refere ao pagamento voluntário na rede bancária ou postos de arrecadação, que funcionam como extensão dos cofres públicos, argumenta.
Outra irregularidade apontada por Dias é a quebra de sigilo dos devedores, o que caracteriza crime. Existe ainda o problema de possibilidade da transferência da cobrança, com o término do contrato com a empresa licitada, diz. O município não está vendendo a dívida, apenas transferindo a cobrança, avisa Franco. Ele lembra ainda que a empresa contratada terá que obenecer critérios para executar a cobrança, sempre cumprindo o que determina a lei.
O prefeito Teruo Kato diz que segue o exemplo de outros municípios, que já terceirizaram a cobrança, como Maringá e Cascavel. Ele argumenta que é responsabilidade do prefeito receber tributos, e calcula que vai arrecadar entre R$ 40 mil a R$ 50 mil por mês com a cobrança terceirizada.





