São Paulo, 04 (AE) - Dois depoimentos de fiscais da Administração Regional de Pinheiros, em São Paulo, ouvidos ontem (03) pela polícia podem comprometer o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PPB). Eles também confirmaram que o chefe os fiscais
Marco Antonio Zeppini, seria um dos chefes no recolhimento das propinas, dentro da regional. Zeppini está preso desde 2 de dezembro, após tentar extorquir a comerciante Soraia da Silva, dona de uma academia de ginástica na região dos Jardins, na zona sul de São Paulo. A prisão deflagrou uma série de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE).
Os fiscais Ivana Giacobelli e Orivaldo José Spigolon revelaram à polícia que, em setembro, Zeppini vendeu convites para um jantar, a R$ 150,00. O dinheiro arrecadado seria para a campanha do então candidato a deputado estadual José Roberto Faria Lima (PPB), pai do vereador.
O promotor público José Carlos Blat, do Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado (Gaeco), informou que um comerciante da região de Pinheiros, na zona oeste, revelou ao Ministério Público Estadual que comprou quatro convites para o jantar, a R$ 500,00 cada. Dias depois, segundo a testemunha, o alvará de funcionamento da floricultura foi liberado, após ter sido negado em três tentativas anteriores.
Orientação - Ivana, cujo salário na regional era de R$ 900,00 líquidos, afirmou que procurou Zeppini logo que ela foi transferida para a regional de Pinheiros. Ele lhe teria dito: "O fiscal faz a sua fiscalização normal e, havendo interesses de colaboração do contribuinte, ele deve ser encaminhado para mim." Zeppini também a teria orientado sobre a cobrança de propina. No começo, ela receberia 20% do que arrecadasse, mas o porcentual poderia aumentar de acordo com seu desempenho.
Ivana ouviu dizer que um "pedágio" seria pago mensalmente ao vereador Faria Lima, que na época controlava politicamente a regional - havia indicado o administrador. "Mas eu não sei direito, pois era muito nova lá e ninguém confiava em mim", afirmou. Ela também disse que recebeu orientação do chefe dos fiscais para não fazer nada em relação aos estacionamentos da região sem o consultar.
Escalão - O fiscal Spigolon afirmou à polícia que todo o dinheiro arrecadado com propinas teria de ser entregue a Zeppini
que o dividiria. Uma parte, segundo ele, seria remetida para escalões superiores. Havia comentários dentro da regional de que o escalão superior seria Faria Lima.
Spigolon revelou que havia uma recomendação de Zeppini para que pessoas ligadas ao vereador não fossem fiscalizadas. Caso a ordem não fosse cumprida, os fiscais sofriam retaliações: transferência para serviços internos burocráticos ou então para outra regional. Os dois fiscais foram liberados após cumprirem prisão temporária. Eles são acusados de tentar extorquir a empresa Gradiente, em R$ 15 mil.
Faria Lima informou, por intermédio de sua assessoria, que não vai se apronunciar enquanto não tiver uma comunicação oficias sobre as investigações.
Segurança - A testemunha A.J.M., que trabalha como segurança de barracas de ambulantes na região central, confirmou o depoimento de outro segurança, que afirmou ter pago, em 1995, propina para o vereador Hanna Garib (PPB) - hoje também deputado estadual eleito. No início da semana, L.A.S. havia afirmado que naquele ano 1995 levou cerca de R$ 12 mil ao parlamentar, na Câmara Municipal.
A.J.M, que até o ano passado era policial militar e zelava por camelôs na região da Sé, contou ter ido à Câmara uma vez com L.A.S. e o viu entregando dinheiro para o vereador. Nessa ocasião, Garib teria dito a L.A.S. que aquele era o último pagamento, pois estavam começando a surgir as denúncias com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos camelôs. Além disso, o parlamentar teria ficado desconfiado de A.J.M., pois teria dito ao outro segurança que "ele tinha levado uma pessoa que não era de confiança".

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