Vereador é preso por desmatamento ilegal
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O vereador Antônio Barbosa (PT), o Preto, de Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava), foi detido anteontem à noite por policiais civis e federais. Ele é suspeito de comandar esquema ilegal de desmatamento numa área do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A prisão cumpriu determinação da Justiça.
Segundo Lino Lopes, delegado-chefe da Polícia Civil na região de Laranjeiras do Sul, um grupo de cerca de 140 famílias dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teria derrubado 120 hectares de araucárias e pinus do terreno, cuja área total é de 1.100 hectares. O esquema seria coordenado por Preto e estaria em funcionamento há pelo menos seis meses.
''Ele cobrava pedágio dos motoristas que retiravam madeira ilegalmente da área, vendia partes do terreno para integrantes do grupo de dissidentes e angariava mão-de-obra em acampamentos da região para cortar as árvores. Para isso, utilizava 'laranjas'. Há provas documentais e testemunhais de que Preto estava por trás de tudo'', afirmou Lopes, que informou que as pessoas que faziam o corte de madeira não eram registradas e trabalhavam sem condições de higiene adequadas.
Ontem, Preto, que é dissidente do MST, seria levado à Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), em Curitiba. O delegado afirmou que o vereador responde a sete processos na comarca de Laranjeiras do Sul, por porte ilegal de arma, estupro, ameaça e furto. Lopes informou que há indícios de que no acampamento de dissidentes do MST ocorria roubo de carga, homicídio e tráfico de drogas. ''Será feita uma ampla investigação'', disse o delegado.
A advogada de Preto, Maria das Graças, afirmou que o vereador não possuía ligação com os dissidentes do MST quando o desmatamento teve início. ''Há alguns anos, uma área daquela região foi desapropriada pelo Incra. Integrantes do MST já tinham cortado parte das árvores e acabaram de desmatar depois da constituição de dois assentamentos na região. Uma outra área foi desapropriada recentemente e este grupo de dissidentes passou a devastá-la. Preto era ligado a estas famílias, mas já não tinha relação com elas quando o desmatamento começou'', argumentou a advogada.
Maria das Graças insinuou haver uma pessoa interessada em incriminar Preto, mas não deu explicações. ''Ele tem desavenças com várias autoridades de Rio Bonito do Iguaçu e de Laranjeiras do Sul'', afirmou ela. A advogada afirmou que a acusação de estupro foi uma ''armação'' de inimigos de Preto. ''Sei de dois processos por porte ilegal de arma que estão em andamento. Quanto aos restantes, não tenho conhecimento'', disse.
Elemar Cezimbra, da coordenação nacional do MST, afirmou que a derrubada de árvores foi autorizada pelo Incra e fazia parte do projeto dos assentamentos. ''Não temos relação com o grupo do Preto. Ele rompeu com o MST, se articulou com madeireiros e começou a praticar crimes na região. Inclusive, usou dessa influência para se eleger vereador. Foi preso só agora porque a coisa se tornou escandalosa'', afirmou Cezimbra.


