Vereador é acusado de tomar verba de funcionários
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Ana Carolina Sacoman 
Osasco, 27 (AE) - Além de ser citado como réu na ação pública movida pelo promotor Wellington Luiz Daher, de Osasco, o vereador Dionísio álvarez Mateos Filho (PDT) está sendo investigado pela Ministério Público Estadual (MPE) e pela polícia porque, segundo a advogada Maria Alice Lima Landin Cassoli, ele cobrava comissão de 10% sobre os salários dos funcionários de seu gabinete.
Em entrevista à Agência Estado, a advogada confirmou as acusações e disse também que Mateos, ex-presidente da Câmara, falsificou sua assinatura em vários documentos.
Ela trabalhava no gabinete do vereador, contratada para prestar assistência judiciária. A advogada já prestou depoimento no MPE e na Delegacia Seccional de Osasco.
Segundo ela, depois que venceu as eleições, Mateos Filho reuniu cerca de 20 funcionários do gabinete para anunciar que, a partir de janeiro de 1997, cobraria deles uma "comissão". "Disse que o dinheiro seria usado para pagar despesas de campanha e alugar um imóvel", contou Maria Alice. "E ameaçou demitir quem discordasse."
Segundo a advogada, os valores eram entregues em mãos à chefe de gabinete, Marlene Borges, cunhada de Mateos Filho. O vereador exigia o pagamento em dinheiro. "Passei a pagar com cheques, mas ele insistia no dinheiro", disse Maria Alice. A cobrança sobre os salários da advogada teria ocorrido até novembro de 1997.
Para comprovar as declarações, ela guarda o microfilme de um cheque de R$ 355,70 dado ao vereador em 1.º de abril de 1997 e uma fotocópia de outro pagamento, feito em 2 de julho do mesmo ano. "Eu pagava em cheques, mas não imaginava que isso se tornaria prova."
Falsificação - Maria Alice disse que em 1998 foi procurada pela Associação dos Advogados de São Paulo para confirmar a solicitação de mudança de endereço de correspondência para a clínica do vereador, que é cardiologista. "Eu disse ao Dionísio que alguém em seu gabinete deveria estar falsificando minha assinatura e ele me mandou ir à Justiça", contou.
Ela disse que as suspeitas ficaram mais fortes quando recebeu notificação de um juiz que havia identificado divergência de assinaturas em suas petições. "Era mais uma falsificação", disse. "Pelo documento de procuração, que assinei, dá para perceber que as assinaturas são completamente diferentes." Ela pretende pedir exame grafotécnico dos documentos.
Mateos Filho nega as acusações: "É mentira; essas pessoas foram mandadas embora e agora querem o emprego de volta." Quanto às provas da advogada, ele classificou de denúncia vazia. Mas não explicou a existência de um cheque da advogada nominal a ele. "Vamos fazer uma acareação na Justiça e apurar quem está certo."
Ele afirmou que quando tiver conhecimento oficial das denúncias, apresentará sua defesa. "Gostaria que essa pessoa viesse a público provar o que diz e confrontar nossa versão."


