São Paulo, 05 (AE) - Durou cerca de 24 horas a convicção do vereador Natalício Bezerra (PTB) de votar a favor da admissão da denúncia da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que pede o impechment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN). Na tarde de hoje, Bezerra admitiu publicamente que poderá mudar e votar contra a proposta de abertura do processo de afastamento de Pitta.
"Hoje, eu estou a favor; daqui a três dias, poderei mudar", afirmou Bezerra. Ontem (04), o vereador petebista afirmou várias vezes que votaria a favor da admissão da denúncia contra Pitta.
Se Bezerra mantivesse a promessa, Pitta sofreria uma derrota na Câmara e teria de conquistar a maioria dos votos em plenário para barrar o início do processo de impeachment - são necessários pelo menos 33 votos para que o prefeito comece a ser julgado pelo Legilslativo. "Durante a análise dos documentos, posso concluir que correríamos o risco de entregar a cidade a um vice-prefeito que prestou vários desserviços à cidade ou que um eventual processo de impeachment serviria apenas de palanque político para o PT por três meses", tentou justificar Bezerra, referindo-se ao vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN).
Apesar de assegurar que votaria contra o governo municipal e seguiria a decisão da bancada do PTB, Bezerra começou a dar demonstrações de que poderia recuar, poucas horas depois de fazer as afirmações no plenário da Câmara. No início da noite de ontem, Bezerra votou nos vereadores Wadih Mutran (PPB) e Brasil Vita (PPB) para presidente e relator da comissão, respectivamente.
A outra chapa foi encabeçada pelos vereadores Arselino Tatto (PT) e Cármino Pepe (PL), os dois da oposição. Mutran e Vita, que foram os líderes de Pitta na Câmara até as últimas semanas, são os principais defensores do Executivo.
Eles não admitem publicamente, mas foram encarregados de pôr a estratégia do governo municipal em prática. A tática é usar pareceres jurídicos para demonstrar que a denúncia da OAB não tem provas concretas e arquivá-la na comissão.
Dessa forma, impedirão que a discussão chegue plenário da Câmara. Pitta nega qualquer interferência no processo, mas os principais articuladores políticos do Palácio das Indústrias entendem que seria muito mais difícil conquistar o apoio dos parlamentares governistas se a denúncia for submetida a voto no plenário da Câmara.

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