São Paulo, 13 (AE) - O vereador Vicente Cândido (PT) estima que o rombo causado pelo suposto desvio de verbas em sete obras da Prefeitura chegue a R$ 2 bilhões. Segundo ele, cerca de R$ 500 milhões teriam ido para o ex-prefeito Paulo Maluf (R$ 375 milhões) e o então secretário de Vias Públicas, Reynaldo de Barros (R$ 125 milhões).
O cálculo de Cândido baseia-se na diferença entre o preço licitado para as construções, um total de R$ 594 milhões, e o valor desembolsado pela Prefeitura, R$ 2,8 bilhões.
As obras - Avenidas água Espraiada e Jacu-Pêssego, Túneis Ibirapuera e Rio Pinheiros, Minianel Viário, Anhangabaú e Boulervad JK - foram orçadas na gestão de Jânio Quadros, em 1987
e só retomadas em 1994 por Maluf.
O total gasto foi 377% maior que o valor licitado. As contratações estavam sob a responsabilidade da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), cujo presidente era Barros. Ele e Maluf teriam recebido os R$ 500 milhões provenientes do aumento no valor do fator K.
Esse índice corrigia mensalmente o valor pago pela Prefeitura às empresas contratadas, entre elas a CBPO. De acordo com Cândido, até julho de 1995, o governo Maluf usou um fator K de 15% e, desse mês em diante, subiu para 26%. "O normal seria no máximo 1%, porque a economia estava estável e os preços não subiam tanto."
O fator K era calculado em cima dos preços de produtos usados pelas empresas para prestar o serviço. Segundo o vereador
a Prefeitura pediria às empresas para aumentarem o preço dos produtos mais usados para subir o valor do fator K.
Para retirar o dinheiro do caixa das empresas, entre elas a CBPO, a Prefeitura usaria notas fiscais frias. Algumas delas seriam da empresa Lavicem, que, segundo o vereador, não existe. Por um contrato de serviço entre a Lavicem e a CBPO, o dinheiro sairia legalmente da contabilidade da CBPO para as mãos dos acusados.
Outra irregularidade ocorreria no preço inicial definido para cada produto. Cândido disse que, em 1995, técnicos do Tribunal de Contas do Município (TCM) analisaram 18 itens da obra do Túnel Ibirapuera e teriam constatado que os valores estavam muito acima do de mercado, somando prejuízo de R$ 16 milhões.
Em nota à imprensa, Maluf alegou que as contas de sua gestão "foram aprovadas com louvor" pelo TCM e "não há nelas ato irregular de nenhuma espécie". Barros foi procurado pela reportagem do Estado, mas estaria viajando.

mockup