Rio Branco, 14 (AE) - Depois de mais de 30 dias foragido, o vereador Alípio Vicente Ferreira (PPB) entregou-se hoje à Justiça do Acre e, se mantiver em depoimento as declarações dadas a jornalistas e ao juiz da Vara do Júri, Marco Antônio Nunes Barbosa, poderá complicar ainda mais a situação do ex-deputado Hildebrando Pascoal e do irmão dele, o dentista e tenente da Polícia Militar (PM) Pedro, no processo criminal sobre o assassinato do mecânico Agílson Santos Firmino, o Baiano. Ferreira afirmou hoje que, ao chegar a um galpão no qual mantinha materiais de construção, encontrou Baiano vivo. Como havia cerca de dez carros da PM e vários policiais militares e civis no local, imaginou que Baiano tivesse sido preso no local, porque também trabalhava com transporte de cargas.
De acordo com Ferreira, que teve a prisão preventiva decretada em novembro e estava foragido desde esse dia, a suposta vítima do esquadrão da morte saiu do galpão vivo e não foi torturado no local. "Ele estava algemado, e quem tem algemas é a polícia", disse o vereador. "Ele saiu vivo do local e, depois disso, não sei mais o que ocorreu", completou. Hildebrando e Pedro também estariam no local, mas a informação não foi confirmada pelo advogado de Ferreira, Ruy Duarte. "Isso aí eu não posso confirmar", limitou-se a dizer Duarte. Ele fez questão de dizer que seu cliente não estava foragido, mas simplesmente na condição de "procurado pela polícia".
O edital da Justiça convocando Ferreira para entregar-se foi publicado ontem (13) no Diário Oficial do Poder Judiciário. O chamamento foi atendido no dia seguinte. O depoimento de Ferreira está marcado para quinta-feira (16).
Custódia - Se Ferreira confirmar as declarações no depoimento, Hildebrando e Pedro, que eram coronel e tenente da PM na época, terão de explicar como Baiano saiu vivo do galpão de Ferreira sob a custódia de vários policiais e depois foi encontrado morto numa rua da cidade. O comandante da PM quando Baiano foi encontrado morto era o deputado estadual e primo de Hildebrando, Aureliano Pascoal.
Baiano foi assassinado em 1996, depois de ser torturado e ter os braços e as pernas cortados, com dois tiros na cabeça. A vítima participou indiretamente da morte do sub-tenente Itamar Pascoal, outro dos nove irmãos do ex-deputado. Hildebrando espalhou vários cartazes pela cidade oferecendo recompensa de R$ 50 mil para quem informasse o paradeiro de José Hugo, patrão de Baiano e assassino de Itamar.
O irmão de Hildebrando morreu ao intrometer-se na briga de um traficante com Hugo, que recebera R$ 20 mil para intermediar a libertação do criminoso. A morte de Baiano foi antecedida pela de seu filho Wilder, de 13 anos. O adolescente foi assassinado com tiros na cabeça, depois de também ter sido torturado, supostamente por Pedro Pascoal. O promotores do MPE continuam sustentando que as provas recolhidas são suficientes para a condenação.

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