Vereador Dito Salim deve prestar depoimento na sexta
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 08 (AE) - O vereador Dito Salim (PPB) foi convidado, no fim da tarde de ontem (07), a depor na sexta (11), às 14h30, na Polícia Civil. O convite foi enviado pelo delegado Naief Saad Neto, que investiga o caso de irregularidades na Prefeitura e coordena inquérito para apurar denúncias de extorsões cometidas por fiscais na Administração Regional de Itaquera, em 1997. Na época, Salim mantinha o controle político da regional. Segundo policiais, há indícios de que ele tinha conhecimento da cobrança de propinas, especialmente no caso da empresa Panco.
No mesmo inquérito, já foram indiciados por concussão e formação de quadrilha a ex-supervisora de Uso e Ocupação do Solo de Itaquera Dinorá Braga, o ex-administrador regional Adilson da Silva, além dos agentes vistores Albano Pires, Maria Cristina Scomparini, Jairo Seki Kanasiro e Luiz Gonzaga da Costa. A polícia investiga as informações de que funcionários da empresa Panco, de propriedade de Kiyoteru Yohamine, teriam sido coagidos a pagar R$ 6 mil para regularização das obras.
Além desse valor, funcionários da regional teriam pedido que a empresa contribuísse com R$ 50 mil para a organização de uma festa no bairro.O deputado Conte Lopes (PPB), que já prestou depoimento na CPI e na polícia, afirma ter sabido do caso por meio de empregados da empresa e ter telefonado tanto para Salim quanto para o administrador regional, Adilson da Silva. Segundo Conte, Dito Salim teria confirmado a necessidade do pagamento para liberação da obra. A Panco, entretanto, não chegou a pagar a propina.
Todos os indiciados no caso de Itaquera, com exceção de Adilson da Silva, também são investigados em outra denúncia de cobrança de propina em Itaquera. O comerciante Valdemar Pablos de Souza entregou aos policiais uma fita gravada com uma conversa gravada , mostrando que ele também teria sido vítima de extorsão. Souza construía uma obra, sem planta, e os funcionários da regional teriam pedido R$ 6 mil para liberação da construção. Após a negociação, entretanto, ele teria entregue três cheques de R$ 1 mil e dois de R$ 2 mil, que foram localizados pela polícia na conta de um supermercado e de um funcionário de uma auto-escola. Os responsáveis pelas contas bancárias afirmaram terem trocado cheques para o agente vistor Albano Pires.
A reportagem tentou falar hoje com o vereador Dito Salim, mas não houve retorno.


