São Paulo, 28 (AE) - Até a cassação ser confirmada pela Câmara Municipal, Vicente Viscome vai continuar na cela do 29.° Distrito Policial, na Vila Prudente, na zona leste da capital. Depois, se não apresentar diploma comprovando ter nível universitário, será recolhido num distrito normal, sem regalias, com traficantes, assaltantes, homicidas. O juiz-corregedor Maurício Lemes Porto, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), que decretou a prisão preventiva de Viscome, explicou hoje que o 29.º DP é especial e abriga presos temporários, que ficam lá por um curto período.
Porto informou ter autorizado a permanência de Viscome no 29.º DP por sua condição de vereador. Foi ele também que o autorizou a deixar a prisão para comparecer às sessões da Câmara. Na mesma situação de Viscome está um vereador de Carapicuíba, também detido no 29.º DP. Está condenado por tráfico de drogas e recorrendo da sentença. Segundo o juiz, esse vereador vai continuar no 29.º Distrito Policial até o julgamento do recurso. Em caso de sentença definitiva, também será mandado para uma cadeia comum.
Nos distritos onde estão os temporários, como o 29.º DP, não há superlotação. Nos distritos considerados especiais, para presos com nível universitário, o número de detentos também é menor nas celas. Mas, nas celas dos distritos comuns, o número de presos por cela chega a 20, quando deveria abrigar apenas 8 pessoas. Viscome deverá ficar preso até o julgamento. Seu advogado está tentando revogar a prisão preventiva. Tranquila - A noite de ontem na prisão foi tranquila, segundo o carcereiro de plantão no 29.º Distrito Policial, onde Viscome está preso desde 31 de março. A polícia restringiu-se a informar que ele acordou no horário previsto e tomou o café às 6 horas, como de costume. Na hora de deixar a delegacia, porém, Viscome driblou a imprensa e saiu escondido num Kadett preto, às 7h45, bem antes do previsto. Às 8h20, já estava em seu gabinete na Câmara, segundo seus assessores. Por lá permaneceu até as 10 horas, quando desceu pelo elevador privativo até o plenário. Choro - Mostrando-se confiante no início, acenou para a imprensa e informou que acreditava na verdade. No fim da defesa, porém, chorou e demonstrou muita tensão. Durante a votação, permaneceu calado, aguardando os resultados ao lado do advogado. Por vezes, conversava com colegas governistas, em meio a cochichos. Quando a Mesa Diretora da Câmara anunciou que 35 vereadores haviam votado pela cassação - faltavam só dois votos para que fosse confirmado o ato - Viscome saiu do plenário, acompanhado por policiais militares da Assessoria Militar da Câmara.
Houve tumulto, correria e muitos empurrões, já que os PMs impediram a saída dos jornalistas da Sala de Imprensa, evitando que tivessem acesso ao vereador. Ao chegar ao terceiro subsolo do Palácio Anchieta, Viscome, acompanhado de seu advogado, disse apenas: "Agora vou cuidar da vida; cada um que responda pelos seus atos". Entrou no carro da Polícia Civil, que quase atropelou alguns repórteres, e partiu para o 29.º DP. No distrito policial, onde chegou às 17 horas, o vereador cassado também não quis conversar com os jornalistas. Havia a promessa de seu advogado de que ele daria uma coletiva. Depois de uma hora, os jornalistas enviaram um pedido por escrito. Ele alegou que estava indisposto, com muita dor de cabeça. Ninguém foi visitá-lo até as 19 horas. Viscome ocupa uma cela com dois acusados de participar do esquema de propina na Administração Regional da Penha: o fiscal Fernando Martins Capitão e o engenheiro Fernando Lepper.

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