Vereador denuncia irregularidades na compra de medicamentos pelo PAS16/Mar, 20:50 Por Luciana Garbin São Paulo, 16 (AE) - O vereador Carlos Neder (PT) apresentou hoje documentos que, segundo ele, ajudam a comprovar as denúncias de Nicéa Pitta sobre irregularidades na compra de medicamentos pelo Plano de Atendimento à Saúde (PAS). Também deu detalhes sobre superfaturamento e esquemas de corrupção no Hospital do Servidor Público Municipal. São notas fiscais, pedidos de compra, atas e estudos comparativos sobre valores de remédios que mostram que, em algumas transações, o módulo Cooperpas 15, do Tatuapé, pagou até 846% a mais do que poderia por um medicamento. Um comprimido de ampicilina de 500 miligramas, que custa R$ 0,13, pela ata de registro de preços adotada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), teria sido comprado em setembro na Comercial Araçaí Ltda. por R$ 1,23. Já um frasco-ampola de ceftriaxona de 1 grama injetável, que na tabela sai por R$ 4,49 foi adquirido por R$ 24,80, em 10 de setembro, pelo Cooperpas 15 na empresa Tecnolabor Produtos Hospitalares e Laboratoriais Ltda. Uma semana antes, o medicamento tinha sido comprado por R$ 5,05 da mesma companhia. Comissão - Alguns dos pedidos de compras feitos pela cooperativa do PAS às empresas Tecnolabor e Kosmetik Comercial Ltda. estão assinados por João Nelson Giusti de Freitas, então interventor da unidade, nomeado pelo secretário da Saúde, Jorge Roberto Pagura, em julho. Ele ficou no cargo até setembro. Hoje, Pagura deveria ter prestado depoimento na Comissão de Saúde da Câmara Municipal, mas não compareceu. A justificativa apresentada foi a de que ele foi "desconvocado" pelo vereador Mário Dias (PPB). "Estava pronto para questioná-lo sobre as compras superfaturadas, mas ele fugiu", disse Neder. "Todos os documentos já foram enviados ao Ministério Público". Além da Tecnolabor e da Comercial Araçaí, constavam na lista de empresas beneficiadas pelas vendas ao Cooperpas 15 a Apoio Médico Hospitalar e a Medical Line Comércio Médico Hospitalar Ltda. Algumas delas aparecem também em outra denúncia de corrupção feita por Neder, que trata de contratos superfaturados e compras induzidas e casadas no Hospital do Servidor Público Municipal. De acordo com a representação enviada pelo parlamentar ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dois locais serviam como ponto de intermediação na compra de materiais médico-hospitalares e de cobrança de valores "por fora" para saldar dívidas da secretaria. Um fica na Avenida Rodrigues Alves, 730, na Vila Mariana, e outro na sede da Real Técnica Produtos Hospitalares Ltda., na Avenida 9 de Julho, 4.865, 11.º andar. Esses valores variavam de 18% a 25% do valor e conferem com o que disse Nicéa sobre o 'pedágio" no PAS. A equipe do gabinete do vereador Neder tem fotografias de frequentadores da casa na Vila Mariana e aponta como um deles Flávio Aparecido Pardi, que foi vice-presidente da Cooperpas 2, diretor-administrativo do módulo 2 do PAS que é o atual diretor-administrativo do Hospital do Servidor Público Municipal. Pardi nega a acusação e diz ter documentos que provam sua inocência. A assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informou que Pagura não daria declarações sobre o caso e determinou a abertura de sindicância para apurar denúncias. Uma comissão será constituída por três funcionários da secretaria e um procurador e terá 15 dias para apresentar suas conclusões. Cotações - Já Freitas afirmou que, antes de realizar qualquer compra, os funcionários da cooperativa sempre faziam cotações de mercado com pelo menos três empresas. Além disso, dos cerca de 500 itens de medicamentos comprados apenas 13 foram citados por Neder como superfaturados. "Se não fosse ano de eleição isso não seria motivo de alarde", disse Freitas. "Sempre compramos os medicamentos pelo menor preço, mas como é uma lista grande e às vezes temos urgência é até compreensível que um ou outro acabe sendo adquirido a um custo maior". Defesa - As empresas foram procuradas pelo reportagem da Agência Estado. Segundo o gerente de medicamentos da Tecnolabor, Sandro Ayub Caldeira, a variação no preço de medicamentos, como a ceftriaxona, pode chegar a 600%, dependendo do fabricante - se é multinacional ou não. "Segundo o cliente, trabalho com diferentes margens de lucro, mas, se vendesse com o porcentual alegado na denúncia, estaria milionário". Ele disse que a empresa não vende remédios acima do valor médio de mercado. Na Apoio Médico Hospitalar e na Kosmetik, às 18h15, o porteiro informou que o expediente já havia sido encerrado. No mesmo horário, ninguém atendia o telefone da Real Técnica e da Comercial Araçaí. O telefone da Medical Line não consta da lista telefônica.

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