Verba não impede abril vermelho
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Agência Estado 
Rio - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra João Pedro Stédile elogiou ontem a liberação de R$ 1,7 bilhão para a reforma agrária anunciada pelo governo. Mas ressaltou que a verba não muda a disposição do MST de promover um ''abril vermelho'', embora desse novo sentido à expressão.
Stédile afirmou ter dito que haveria no País um mês de mobilizações - de estudantes, de servidores públicos, de sem-terra - e não de ocupações, como se cogitou após suas declarações. Essa movimentação será mantida.
O líder disse ainda que suas declarações sobre o assunto, em Campo Grande (MS), foram ''mal-interpretadas'' e acusou a imprensa de criar ''factóides'' sobre a crise. ''Nunca falei que iam ser ocupações, estou dizendo que vão ser mobilizações'', disse ele, afirmando que as manifestações não serão contra o governo. ''Em muitos Estados, vão fazer acampamentos, vão fazer passeatas.''
Apesar de dizer que as manifestações serão mantidas, Stédile afirmou que os sem-terra ficaram satisfeitos com a liberação das verbas, porque, segundo ele, demonstra boa vontade do governo, mas destacou que a reforma agrária é um conjunto de medidas. ''A verba por si só não resolve o problema. Não pode (a reforma) ser apenas pontual, dar mais dinheiro, desapropriar tal fazenda'', argumentou. ''É preciso que o governo assuma a reforma agrária como uma prioridade de todo o governo, não só do Incra, e que coloque a reforma agrária como o centro das medidas para resolver o problema do desemprego.''
Para ele, o governo ''está engessado por um Estado burocrático e preparado para atender só 10% da população'' e ''não é por que não tem vontade do (presidente) Lula'' que não há verbas para a educação ou não se resolvem os problemas da saúde.'' ''É por isso que as mobilizações de massa nessa conjuntura ajudam o governo'', declarou.
''Não são contra o governo. São contra os banqueiros. São contra os latifundiários. São contra aqueles que não querem nenhuma mudança e querem manter os seus privilégios.''
O coordenador dos sem-terra deu entrevista após participar do painel ''Resistência na Cidade e no Campo'', no seminário ''64 mais 40: Golpe e Campo (u)s de Resistência'', no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


