Verão fresco empobrece a vida na Antártica
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terça-feira, 15 de janeiro de 2002
France Presse 
Paris - Enquanto prevalece a preocupação pelo aquecimento geral do clima terrestre, há 30 anos os verãos são cada vez mais frescos na Antártica e essa mudança já tem provocado um empobrecimento significativo da vida no continente gelado, segundo um estudo publicado na página internet da revista britânica Nature.
O estudo, realizado por uma equipe de cientistas norte-americanos dirigidos por Peter Doran, da Universidade de Illinois em Chicago, que fez uma investigação no vale seco de McMurdo, descobriu que a diminuição constante das temperaturas, medidas por estações meteorológicas automáticas entre 1986 e 2000, foi acompanhada de uma clara redução da atividade biológica.
Os vales secos são verdadeiros desertos do continente gelado, nos quais, paradoxalmente, não há gelo. Esse vales contam com alguns lagos salinos alimentados por arroios procedentes do degelo das áreas vizinhas.
A vida nesses locais é muito pobre. Neles, não vivem nem focas nem pinguins, já que os mamíferos e as aves não se afastam nunca das costas. A fauna nos vales secos se limita a populações microbióticas e a um certo número de invertebrados, dos quais os principais representantes são os tardígrados (estranhos ácaros de 0,1 a 1 milímetro, capazes de sobreviver em condições de extrema seca) e os vermes nematodos.
No vale de McMurdo, as temperaturas do solo diminuíram 0,7 grau centígrado em dez anos e o esfriamento é sensível principalmente durante o verão austral (de dezembro a fevereiro) e no outono austral (de março a maio), informam os cientistas.
O esfriamento afetou particularmente os ecossistemas situados no limite entre água e gelo e provocou em particular uma redução da população da espécie dominante de nematodos (Scottema lindsayae), que baixou 10% por ano. Além disso, a produção primária dos lagos também se reduziu entre 6 e 9% ao ano.
Estes resultados não significam porém que o clima da Terra não tenha uma tendência ao aquecimento global. A Antártica está climaticamente isolada do resto do planeta pela corrente circunantártica do oceano Austral, que mantém o continente tão frio, explicou Peter Doran.
Muita gente afirma que a Antártica já começou a degelar, mas está claro que não é assim, ressaltou. O cientista norte-americano acha que este erro procede do fato de que a média das temperaturas seja calculada a partir de dados procedentes das estações meteorológicas situadas na península antártica. Ali é perceptível um aquecimento, mas isto não tem nenhuma relação com o resto do continente, disse Doran.


