Ventos de mais de 72km/h provocam morte no Rio
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 08 (AE) - Uma mulher morreu, seis pescadores ficaram retidos durante toda a noite nas Ilhas Cagarras e uma estrada da Floresta da Tijuca foi interditada em consequência dos ventos de mais de 72 quilômetros (incomuns nesta época do ano), trazidos pela frente fria que chegou ao litoral carioca na madrugada de hoje. Segundo o 6º Distrito de Meteorologia do Rio de Janeiro, o frio e o céu nublado devem permanecer amanhã (09), mas na terça-feira o tempo volta a mehorar.
Marilete dos Santos, de 45 anos, morreu hoje de manhã atingida por uma árvore partida pelo vento, quando varria o quintal da casa situada na Rua do Açude, 761, onde trabalhava como caseira. A casa fica no Alto da Boa Vista, próximo à Floresta da Tijuca, do lado do bairro do mesmo nome, na zona norte da cidade. Marilete estava varrendo o quintal na companhia do marido e do filho que conseguiram correr a tempo e não serem atingidos. Ela teve morte instantânea e nem chegou a ser atendida no hospital.
Na Estrada Dona Castorina, também na Floresta da Tijuca, mas do outro lado, que dá para a zona sul, uma árvore interditou a passagem na altura da Vista Chinesa, um dos pontos turísticos com vista da cidade. Um carro com quatro pessoas passava na hora
mas conseguiu desviar. O Corpo de Bombeiros pediu ainda à Companhia de Egenharia de Trânsito (CET-Rio) que interditasse a Avenida Edson Passos, também no Alto da Tijuca, onde havia o risco de outras árvores caírem. Ilhados - A pescaria de fim de semana programada por seis amigos que moram no Morro do Vidigal, na zona sul da cidade, virou uma noite de horrores. Alberto Vicente, Aloísio Barros de Almeida, Ricardo de Souza Coutinho, José Felix dos Santos, Lourival João da Silva e Alexandre Alves da Silva saíram da Colônia de Pescadores, no posto seis da Praia de Copacabana, na zona sul do Rio, ao meio-dia de sábado, em direção à ilha Redonda, que faz parte do complexo das Cagarras. O plano era passar a noite lá pescando e voltar hoje de manhã.
No fim da tarde, porém, o tempo mudou. Um temporal atingiu a ilha e a temperatura caiu para menos de dez graus durante a noite. Hoje de manhã, um deles resolveu chamar o Corpo de Bombeiros porque o tempo ainda estava ruim e o mar batia muito, impossibilitando a chegada do barco que os buscaria. Segundo o coronel Marcos da Silva, que chefiou a equipe de 13 bombeiros que fez o salvamento, a operação durou quase uma hora devido à violência da água contra as pedras. "Eles estavam apavorados e um deles chegou a chorar", contou o coronel.


