Rio, 27 (AE) - O primeiro dia de obras para o reparo do emissário submarino de Ipanema, na zona sul do Rio, foi praticamente perdido por causa do mau tempo. O vento forte e o mar agitado, decorrentes de uma frente fria que chegou à cidade, fizeram com que o esgoto que está sendo despejado em caráter emergencial no costão do Vidigal fosse levado para as praias do Leblon e de Ipanema, formando uma enorme mancha na orla da zona sul.
A obra, iniciada durante a madrugada, teve de ser interrompida quatro horas antes do previsto, mas o secretário de Meio-Ambiente do Estado, André Correa, garantiu que o conserto termina no prazo previsto, em seis dias. De acordo com o serviço de meteorologia, a frente fria deverá deixar amanhã (28) a cidade.
Com a interrupção do funcionamento do emissário - que lançava seis toneladas de esgoto por segundo em alto-mar -, está sendo despejada 1,8 tonelada de esgoto por segundo no Vidigal. O costão do Pão-de-Açúcar recebe mais 1,2 tonelada por segundo. Durante a noite, seriam despejadas por segundo outras três toneladas de esgoto estocadas no interceptor oceânico. Até o fim da tarde de hoje haviam sido despejadas 210 mil toneladas na orla da zona sul. Estão impróprias para banho as praias da orla da zona sul, da Urca até São Conrado.
Apesar da advertência, um surfista, que não quis identificar-se, insistia em permanecer nas águas de Ipanema. "Tenho muitos anticorpos", brincou, resistindo em atender à recomendação de voluntários da Secretaria de Meio Ambiente que estão participando de uma campanha de esclarecimento à população sobre o trabalho no emissário submarino, junto com funcionários da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema).
Estão sendo distribuídos 100 mil panfletos explicativos em português e 10 mil em inglês. A Feema também está realizando, diariamente, a coleta de amostras em 29 pontos da orla. O resultado da coleta de hoje deverá ser divulgado amanhã. Pilar - O trabalho de reparo de um dos 96 pilares do emissário, que cedeu em janeiro, está sendo feito por técnicos da Petrobrás. Construído em 1975, o emissário no fim de sua "vida útil", estimada em 25 anos. Pelo menos 70 pilares já estariam parcialmente deteriorados. De acordo com o governo do Estado, uma obra de recuperação total do emissário está avaliada em R$ 30 milhões.

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