Vento evita fogo em área indígena
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
Agência Folha 
O fogo que atinge pastagens e matas no Estado de Mato Grosso estava ontem pela manhã a quatro km a sudoeste do Parque Indígena do Xingu. Uma mudança na direção do vento, segundo técnicos do Ibama, evitou que o fogo invadisse o parque. Como houve chuvas esparsas, e há 61 homens do Corpo de Bombeiros combatendo o fogo na região, à tarde o fogo se mantinha a cerca de 10 km da reserva.
Segundo avaliação do comando de combate ao fogo na área, as chances de o fogo atingir agora o parque são remotas. Não há, também, registro de queimadas promovidas por índios dentro da reserva. Pela manhã, o vento esteve na direção leste-oeste orientando as chamas para uma pequena ponta no limite sudoeste do parque. Depois, passou para a direção norte, o que evitou o acesso.
O fogo atingiu principalmente as áreas de pastagens. Inicialmente os fazendeiros tinham autorização para o uso controlado de fogo para limpar as pastagens expedida pelo próprio Ibama, mas devido ao clima seco e ao vento essas queimadas perderam o controle.
O prefeito de São José do Xingu (870 quilômetros de Cuiabá), Hélio José do Carmo, solicitou ontem situação de emergência para o município por 30 dias. Carmo afirmou que, somente no município, cerca de 150 mil hectares de pastagens e 50 mil hectares de matas virgens já foram queimados. Além disso, pontes que dão acesso à cidade também ficaram destruídas. Estimativas de fazendeiros locais apontam que cerca de mil cabeças de gado já morreram. Para as que restaram não há pastagens.
Entre junho e agosto, o satélite NOOA-12 já havia registrado cerca de 15 mil focos de incêndios e queimadas, o equivalente ao registrado em todo o ano passado. Nuvens de fumaça cobrem Cuiabá, impedindo em algumas horas do dia o vôo de aeronaves menores. A mesma situação está sendo registrada em Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC).


