Venezuelanos vêem com ceticismo acordo entre poderes
Caracas, 28 (AE-ANSA) - A opinião pública e a mídia venezuelana vêem com ceticismo o "acordo de não-confrontação" obtido pelas lideranças da Assembléia Nacional Constituinte (ANC) e do Congresso Nacional. Mediado pela Igreja Católica, o acordo substitui chamado "pacto de coexistência", que existia entre as partes.
"Fracassou o diálogo entre os poderes", destaca em manchete El Universal - um dos principais diários de Caracas. "Congresso e Constituinte não conseguiram manter a trégua", ressalta, igualmente, El Nacional. "Termina em bastonadas (intervenção policial) primeiro round da luta entre a ABC e o Congresso", sustenta o tablóide Últimas Notícias. O matutino 2001 focaliza a atuação das forças de segurança: "Guardas e policiais impedem a entrada de deputados no Congresso." Por sua vez, El Globo envereda por uma linha moderada ao garantir que "a ANC vai rever o decreto de emergência legislativa".
Dirigentes e parlamentares de agremiações tradicionais, como a Ação Democrática (social-democrata) e o Copei (democrata-cristão) e o Projeto Venezuela (conservador), voltaram a advertir o país sobre as atividades da Constituinte "totalmente dirigidas à consolidação do projeto autocrático de Chávez."
O entendimento, considerado muito frágil pelos observadores políticos, seguiu-se a sérios distúrbios ocorridos em Caracas, quando partidários do presidente Hugo Chávez - que controla o plenário da poderosa ANC - atacaram parlamentares da oposição que tentavam ingressar no edifício do Legislativo venezuelano, em recesso, para retomar os trabalhos. Era uma resposta aos constituintes que reduziram consideravelmente as competências dos legisladores eleitos pelo voto popular. Cerca de 40 pessoas sofreram ferimentos leves num choque reprimido pelas forças de segurança.
O presidente Chávez responsabilizou as lideranças da oposição pelo que chamou de "show e tentativa de bloquear o processo de reformas" desencadeado quando ele assumiu o poder em fevereiro.





