Venezuela chega a 2000 em meio a incertezas
Caracas, 28 (AE-IPS) - A Venezuela chega ao ano 2000 enfrentando a pior recessão em uma década, um futuro econômico sujeito à nova Constituição e os efeitos de uma catástrofe natural de custo milionário.
Mensagem do Banco Central, publicada ontem nos jornais do país
destacou que o "ambiente político" somou-se às variáveis econômicas, o que gerou a situação recessiva do país.
O BC revelou no fim de semana que o Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela caiu 7,2% em 1999, uma cifra somente superada em 1989, quando ficou em 8,6%.
Para o BC, os fatores econômicos internos e externos foram agravados pela "natural incerteza que cria a mudança de poderes públicos, a nova política econômica e o processo de nascimento da nova Constituição", diz o texto do BC.
Para o órgão emissor, no ano que vem a situação econômica "dependerá de como os investidores percebam as condições para realizar seus cálculos e operar, já que a nova Constituição abre um novo patamar de atuação".
O informe diz ainda que o investimento privado caiu 23,4% em 99. Também registrou saída de US$ 4,6 bilhões de capital "do setor privado não financeiro".
A queda do PIB mostra uma aguda queda na atividade dos setores de construção e comércio, o que contribuiu para que o desemprego subisse para 15,4%. O mercado trabalha com um nível de desocupação de 18%.
O Banco Central destacou também recuo na inflação, a mais baixa em 13 anos, que era de 18,1% até o final de novembro, nove pontos percentuais abaixo do alcançado no mesmo período em 98.
Destacou, por outro lado, que o superávit na balança de pagamentos chegou a US$ 724 milhões, o que permitiu ao país contar com reservas internacionais que totalizam US$ 15 bilhões.
Analistas acreditam que em 2000 o país deve crescer em pelo menos 2% do PIB. Todavia, os custos com reconstrução da infra-estrutura, castigada pelas chuvas, deve custar ao governo bilhões de dólares.





