Sorocaba, SP, 19 (AE) - A vendedora Andréia Aparecida Ferreira, de 21 anos, foi presa em flagrante ontem à noite, em Sorocaba, por crime de racismo. Ela foi acusada de ter ofendido a guarda municipal Suzana Martins de Oliveira Pinto, de 24 anos, chamando-a de "negra suja", na porta de uma escola da cidade. A ofensa, presenciada por testemunhas, aconteceu no portão de entrada da Escola Estadual "Dorival Dias de Carvalho", na Vila Angélica. A vendedora queria entrar na escola para falar com o irmão de 8 anos, estudante do estabelecimento, mas a guarda municipal não permitiu. Irritada, Andréia xingou a policial de "suja" e ainda "negra fardada", desafiando-a para que batesse nela.
Suzana deu voz de prisão à vendedora, autuada em flagrante pelo delegado Nicolau Santarém, com base na lei que define os crimes de racismo. Segundo o delegado, o crime ficou bem caracterizado diante das declarações dadas pela acusada e no depoimento de testemunhas - pais de alunos que presenciaram as ofensas. A vendedora chegou a dizer ao delegado que não era obrigada "a gostar dessa raça". Por se tratar de crime inafiançável, a vendedora foi levada ao Presídio Feminino de Votorantim. Caso seja condenada, ficará sujeita a pena de um a três anos de reclusão. Segundo a direção da escola, a mãe de Andréia, Fátima Maria Ferreira, havia denunciado seu envolvimento com drogas e pedido que não fosse permitido seu contato com o irmão caçula. Hoje Fátima disse que a filha também ameaçava o avô, com quem morava.

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