Um dos segmentos do trabalho que mais tem crescido no Paraná é o de vendedores por conta própria, que se abrigam no mercado informal e encontram no sistema porta-a-porta uma alternativa profissional. Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1992 a 99 o número de trabalhadores em atividades desta modalidade cresceu quase 15%, passando de 830 mil para 955 mil no final da década. Já representa 20% da população economicamente ativa (PEA) do Estado, estimada em 4,8 milhões. O crescimento da PEA nesse período foi de 11%.
Essa é uma tendência observada em todo o Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Domus), que representa a Natura, Avon, Tupperware, Herbalife, entre outras, a expansão não pára por aqui: o setor deve crescer 15% neste ano, apesar de todos os contratempos da economia brasileira. Em 2000, as vendas diretas movimentaram R$ 5,3 bilhões, contra R$ 4,6 bilhões de 99. Estima-se que em todo o País o setor gere 8 milhões de empregos.
As razões que levam os trabalhadores a seguir esse caminho são principalmente dois, segundo o economista técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro. ''A flexibilidade da jornada de trabalho e a possibilidade de remuneração levam as pessoas a trabalhar por conta própria'', afirma.
Porém, para Cordeiro, cerca de 50% das pessoas que atuam nesse segmento gostariam mesmo de ter trabalho fixo, com carteira assinada e todos os direitos trabalhistas assegurados. ''Eles estão por conta própria porque não tiveram oportunidade no mercado de trabalho formal'', analisa.
Segundo ele, as empresas de venda porta-a-porta são uma boa solução para os trabalhadores, porque não exigem investimentos - como o que se requer para montar uma pequena empresa - e nem mão-de-obra qualificada. ''Dentro das alternativas, essas vendas são viáveis porque não é preciso ter capital, não é necessário passar por processo seletivo, que tem uma série de exigências, como formação profissional, conhecimento de línguas. Enfim, é uma porta de entrada porque não exige muito em termos de qualificação'', avalia Cordeiro.
Grandes empresas de cosméticos, por exemplo, como a Natura e a Avon, têm um sistema simples para cadastrar novas representantes. Para ser consultora Natura, a pessoa precisa fazer um pré-cadastro pelo 0800-115566. Se o interessado for maior de 18 anos e não estiver com o nome registrado no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), a empresa envia uma promotora Natura para fazer uma entrevista pessoal. Se for aprovado, deverá fazer um investimento inicial entre R$ 82 e R$ 110 para receber os kits demonstradores de produtos.
A Avon (0800-125500) faz a exigência de um documento (CIC ou RG), também consulta o SPC e verifica se o interessado possui endereço fixo, que pode ser de algum conhecido, apenas para efetuar as entregas dos produtos. A empresa faz a cobrança de uma taxa administrativa - não divulgada - que é abatida durante os meses de prestação de serviço.
As pessoas interessadas em revender Tupperware (0800-7712766) também precisam fazer um cadastro. Depois a distribuidora do produto mais próxima fará uma entrevista. Para se tornar uma revendedora é preciso realizar uma reunião na casa de um potencial consumidor e vender mais de R$ 110 em produtos. De acordo com Daniela Damaceno, assistente de merchandising e comunicação, depois disso a pessoa já é considerada revendedora.

mockup