Um dos camelôs que comercializa o Cytotec disse à Folha que tem, entre seus fregueses, vários médicos. ‘‘Muitos médicos conhecidos mandam as secretárias aqui para buscar o remédio para depois eles usarem em suas clínicas’’, afirmou. Ele disse ainda que muitas freguesas são orientadas por médicos a irem até o camelódromo comprar o medicamento. ‘‘Elas chegam aqui e contam isso.’’
Alguns médicos, que não quiseram ser identificados, consultados pela Folha na tarde de sexta-feira, confirmaram a informação do camelô. Eles explicaram ainda que a maioria dos abortos realizados em clínicas clandestinas são feitos com Cytotec.
O presidente da Associação Médica de Londrina, Pedro Garcia Lopes, disse que não duvida da possibilidade de que médicos façam uso dessa prática. ‘‘Mas não temos como saber se isto está ocorrendo ou não. Que existem clínicas de aborto, nós sabemos que existe, mas não sabemos quantas são e onde estão localizadas’’, disse.
Pedro Garcia Lopes observou, no entanto, que é dever da Vigilância Sanitária fiscalizar e coibir a venda do medicamento. ‘‘Tudo o que é vendido no camelódromo é ilegal. São os órgãos competentes que têm que fiscalizar’’, disse.
A Vigilância Sanitária informou que só fiscaliza estabelecimentos que não ofereçam risco à saúde, se houver uma denúncia. A diretora-executiva da Secretaria de Saúde, Renata Baldo, disse que o órgão desconhece que o medicamento é vendido no camelódromo. ‘‘Nunca ouvi falar’’, afirmou. (E.M.)

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