Moradores de várias regiões da cidade sentiram os efeitos do vendaval de ontem à tarde. Foram menos de 30 minutos de chuva e vento forte, que deixaram um rastro de árvores caídas. Até o início da noite o Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) não tinham o número de quedas de árvores, que atingiram pelo menos seis carros em pontos distintos. Mesmo assim, o secretário do Ambiente, Cleidival Fruzeri, avaliou como ''uma situação normal diante de um vento fora do normal''.
Segundo Fruzeri, Londrina já viveu situações muito piores. ''Eu estive em quatro locais onde houve queda de árvores, e todas eram saudáveis, não tinha como saber que cairiam.'' Ele observou que há em Londrina espécies que formam grandes copas, como a Santa Bárbara e a Sibipiruna, e não suportam ventos muito fortes. ''Estamos fazendo um levantamento das árvores da cidade e, na medida do possível, vamos substituir as espécies mais susceptíveis. Em muitos casos, porém, não temos condições de avaliar o estado da raiz.'' Só na região central, informou Fruzeri, há de 300 a 500 espécies em situação crítica.
Segundo informações divulgadas no final da tarde pela Assessoria de Imprensa da prefeitura, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deslocou 20 pessoas para realizar serviços de limpeza nas ruas. Além de muitos galhos, houve queda de outdoors e postes. Na área central, as ruas mais atingidas foram a Duque de Caxias, Juscelino Kubitscheck e Pio XII. Nesta última, um Chevete ano 89 foi atingido pelos galhos de árvore que caiu em frente ao Colégio Hugo Simas. A proprietária, Rosimeire Duarte, grávida de 4,5 meses, contou que só saiu de casa para ir à farmácia. ''Estou fazendo repouso, mas tive que vir trocar uns medicamentos.'' Rosimeire adquiriu o carro há uma semana.
O pintor Luiz Tomal também teve pouco tempo para sentir o gosto de ter o carro no seu nome. Ele havia acabado de sair do Departamento de Trânsito (Detran) quando estacionou a Brasília ano 81 em frente à casa da família, no número 398 da Rua Yoshikawa Koji, no Jardim Tóquio (Zona Sul). ''Entrei em casa e quando vi umas telhas caindo no quintal, fui para a frente da casa para ver de onde vinha. Saí e já vi a árvore em cima do carro'', contou o pintor, que comprou o automóvel do genro. ''Amanhã mesmo eu ia viajar para o interior de São Paulo, para fazer um serviço por lá. Agora eu não tenho dinheiro e não tenho mais carro, o que é que eu faço?''
O Jardim Tóquio foi um dos mais atingidos pelo vendaval. Em praticamente todas as ruas havia árvores ou galhos no chão. Na Rua Pedro Nolasco da Silva um Ficus caiu sobre um Corsa sedan e por pouco não atinge um Gol. O proprietário da casa em frente, o aposentado João Gomes de Souza, exibia, inconformado, uma cópia do pedido de erradicação da árvore, feito na Sema em setembro do ano passado.
A imagem também era desoladora no Igapó IV. Muitas árvores caídas comprometiam o trânsito da Rua Juiz de Fora. Do outro lado do lago, na Avenida Castelo Branco, a queda de três grandes árvores interrompeu temporariamente a passagem dos carros. O mesmo aconteceu na Rua São Vicente, onde outro automóvel foi atingido pelos galhos de uma árvore arrancada pelo vento. A previsão da Sema e do Corpo de Bombeiros era de muito trabalho durante toda a a noite.

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