Um vendaval com duração de dez minutos e velocidade de 90 km/hora destelhou 73 casas, derrubou árvores, postes e fios da rede elétrica, destruiu carros, quebrou vidros de casas comerciais e deu um grande susto na população de 10 mil habitantes do município de Santa Cruz do Monte Castelo (103 km a oeste de Paranavaí) no início da tarde de ontem (às 13h30 em ponto). Ninguém ficou gravemente ferido e até as 17 horas o Hospital Monte Castelo, o único da cidade, não havia atendido ninguém devido ao vendaval.
Cerca de 50 pessoas ficaram desabrigadas e estão sendo alojadas em galpões da prefeitura e de igrejas. O tenente Marcos Vieira, da Coordenação da Defesa Civil, em Curitiba, informou à Folha que houve nove destelhamentos de residências totais e 64 parciais. O novo quartel da PM, que seria inaugurado na próxima semana, perdeu a metade do telhado. Uma agência bancária teve seus vidros laterais arrancados pelo vento. Hoje a Defesa Civil decide se há necessidade de enviar mantimentos e agasalhos para a cidade.
O órgão, que é ligado diretamente ao gabinete do governador, está recebendo informações da prefeitura e do destacamento de PM sediado na cidade (um sargento e cinco soldados). Santa Cruz do Monte Castelo tem cerca de duas mil casas residenciais.
Marcos NegriniImpactoA força dos ventos destruiu todos os vidros laterais de uma agência bancária. Dezenas de casas foram destelhadasLogo depois do vento, caiu uma forte chuva de granizo durante 30 minutos. Até o início da noite de ontem, a cidade ainda estava sem energia elétrica e os telefones apenas recebiam as chamadas.
Segundo o escrivão de polícia da cidade, Geraldo Garcia, que assistiu a tudo com as portas da delegacia trancadas, ‘‘parecia que o vento ia arrancar tudo do chão’’.
Os policiais-militares, com motosserras emprestadas, fizeram o trabalho de corte das árvores caídas sobre ruas e carros. A principal avenida da cidade, a Paulo Libânio, com três quilômetros de extensão, ficou parcialmente destruída.
As palmeiras recém-plantadas na praça principal da Libânio foram arrancadas pelo vento.
Segundo o escrivão Garcia, é a primeira vez que um vendaval se abate sobre a cidade. ‘‘Tudo começou com um redemoinho, que foi crescendo, crescendo até ficar enorme e engolir tudo’’, comparou o policial.
Na hora do vendaval, 85 crianças entre zero e seis anos de idade começavam a chegar à creche municipal Santa Maria. ‘‘Graças a Deus o vento não chegou aqui. Chegou a 200 metros daqui e só tivemos tempo de levar as crianças para dentro de uma das salas’’, disse a monitora Rosana Maria Nogueira.
‘‘Só deu tempo do meu pai fechar a porta da frente da loja. Perdemos um pouco de telhado mas já estamos arrumando’’, disse Lúcia Lourenço Negrão, dona de mercado de secos e molhados instalado na Praça do Expedicionário.
Do outro lado da rua, sua prima Rafaela Negrão perdeu todas as telhas de sua casa. Na entrada da cidade, segundo Lúcia, antenas parabólicas estavam jogadas no asfalto.
Em um dos bairros, Edmar Aparecido da Cruz estava em casa na hora do vendaval com a mulher, três filhos e um amigo. Ele e o amigo bem que tentaram segurar a porta da cozinha mas não teve jeito: o vento arrancou as paredes da cozinha e levou fogão, armários e geladeira.
O prefeito Élio Vasconcelos Filho (PDT), assim que acabou a chuva, foi para a rua ajudar os mais aflitos com a derrubada de seus telhados. Levou todos os secretários municipais com ele. Até as 19 horas de ontem não havia retornado à sua casa.
Segundo o meteorologista Tarcísio Valentim, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), em Curitiba, o vento foi provocado pelo acúmulo de nuvens do tipo Cumulonimbus (CB) na região.
‘‘Temos no Paraná uma área de instabilidade muito grande que deve durar até amanhã (sábado)’, disse ele. Segundo estimativa feita por Valentim, o vendaval em Monte Castelo teve uma força de 90 km/h.

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