Vendaval derruba araucária clonada
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segunda-feira, 10 de abril de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O vento forte das últimas semanas derrubou o primeiro pinheiro de araucária clonado. A árvore, de 20 anos de idade, estava plantada no Parque da Cachoeira, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, quando um forte vendaval derrubou várias árvores no local, entre elas araucárias centenárias. O pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Flávio Zanetti tenta, agora, salvar o pinheiro clonado.
Segundo Zanetti, o vendaval aconteceu no dia 28 de março, mas a notícia só veio a público agora porque ele estava viajando na época. Na última quinta-feira, Zanetti foi ao parque para ver a situação das árvores. O pinheiro clonado estava caído no chão, mas como ficou com muitas raízes na terra, ele decidiu manter a árvore plantada. ''Esse pinheiro é um símbolo, é a primeira araucária clonada, e queremos recuperá-la'', diz Zanetti. Para isso, os pesquisadores cortaram a copa do pinheiro, mantiveram o tronco com cerca de um metro de altura, reassentando as raízes na terra. A expectativa, agora, é que a árvore rebrote.
Em 1986, ainda nem se falava em clonagem quando os pesquisadores do Laboratório de Micropagação, que produz plantas in vitro, do setor de Ciências Agrárias da UFPR, conseguiram enraizar o primeiro pinheiro in vitro. Em setembro de 88, a árvore tinha aproximadamente 35 centímetros, quando foi plantada no Parque Cachoeira, em Araucária. De lá para cá, outras 12 araucárias foram produzidas in vitro e estão, hoje, plantadas em diferentes locais no Paraná e em Santa Catarina.
''Essa pesquisa já produziu os resultados esperados'', conta Zanetti. O objetivo da produção de pinheiros de proveta era descobrir outros caminhos para a reprodução da espécie ameaçada de extinção. Zanetti conta que com 16 anos de idade o pinheiro começou a produzir pólen. Com isso, descobriu-se que tratava-se de um pinheiro macho.
Com a maturidade da árvore, os pesquisadores passaram, então, a uma nova fase de suas pesquisas: a retirada do pólen para fertilizar araucárias fêmeas, clonadas ou não. ''Mesmo que esse pinheiro não sobreviva, ele vai continuar, porque descendentes ele jé tem'', diz Zanetti. Segundo ele, a pesquisa não apenas comprovou a eficácia da polinização artificial, como também mostrou que é possível aumentar a produção de pinhões por esse método. ''O vento nunca iria conseguir levar o pólen do pinheiro macho na hora certa em que os óvulos da pinha estão férteis, e nós conseguimos isso'', conclui.


