Paris, 29 (AE-AP) - Os prejuízos causados pelos piores vendavais da década na Europa, que deixaram mais de 120 mortos no continente e na Grã-Bretanha, são estimados em mais de US$ 5 bilhões pelo grupo de resseguros Scor.
Na França, o governo decretou "estado de catástrofe" em dois terços do país, varridos domingo, segunda e terça-feira por ventos de mais de 200 quilômetros por hora e chuvas torrenciais que provocaram a morte de pelo menos 70 pessoas.
Nesta quarta-feira (29), o sol voltou a brilhar em vastas áreas do continente, com exceção dos Alpes, que são duramente castigados por nevascas. Avalanches estão ocorrendo em várias partes da cordilheira, principalmente nos Alpes austríacos, suíços e italianos. Só na áustria, 12 turistas morreram, entre eles nove alemães. Na Suíça e Itália, várias rodovias alpinas foram interditadas.
A França foi, de longe, o país mais castigado pelo fenômeno. O ministro do Interior, Jean-Pierre Chevenement, anunciou o envio imediato de uma ajuda preliminar de l5,2 milhões de euros (cerca de US$ 15 milhões) para os municípios mais devastados dos 60 departamentos postos em emergência.
Os recursos levantados com base no estado de catástrofe serão destinados apenas às áreas do país que sofreram inundações. Os danos causados pela ventania estão cobertos por contratos de seguros, mas desde que sejam reclamados num prazo de até cinco dias.
Para atender às ocorrências, o governo mobilizou em todo o país 100.000 bombeiros e 12.000 técnicos em eletricidade. Pelo menos 2,4 milhões de residências ainda estão sem energia elétrica na região atingida pelo temporal. O sistema ferroviário continua praticamente paralisado, com exceção do Eurotúnel (que liga a França à Inglaterra). Cerca de 15.000 ferroviários tentam desobstruir as linhas férreas e reparar os cabos elétricos danificados pela ventania.
Na malha rodoviária, obstruída principalmente por troncos de árvores, trabalham 30.000 homens. "A prioridade número 1 é restabelecer os serviços públicos", disse o ministro do Interior, que lamentou também os graves danos ecológicos no litoral francês, causados pelo vazamento de óleo de um petroleiro que afundou. "Mil e quinhentos homens estão instalando diques artificiais, para evitar o avanço da mancha negra."
Chevenement tranquilizou a população em relação à usina nuclear de Bordeaux, parcialmente inundada pelas águas de um rio que transbordou. Os três reatores da central foram desativados. "O local já está seco", garantiu o ministro. "Os reatores serão religados."
As autoridades francesas anunciaram também planos para reconstituir os parques e bosques arrasados pelos fortes ventos, como é o caso da Floresta de Haye (leste do país).
Na áustria, o principal problema são as tempestades de neve. No Tirol, morreram 12 pessoas - integrantes de um grupo de 30 membros do Clube de Alpinismo da Alemanha. Foram apanhados por uma avalanche em Jamtal, a poucos quilômetros de Galtuer.
Hoje pela manhã, helicópteros do Serviço de Proteção Civil e do Exército recolheram os corpos das vítimas e transportaram os sobreviventes para Viena. Naquele mesmo local, morreram no ano passado 38 alpinistas. O serviço de meteorologia austríaco está prevendo novas avalanches para amanhã.
Na Suíça, várias estradas do sul do país estão interditadas, mais pela queda de árvores durante o vendaval do que pela neve. A situação é mais tranquila nas regiões central e norte, mas algumas rodovias que levam a Berna, Zurique e Zoug estão bloqueadas.
O transporte ferroviário também enfrenta problemas. Os túneis de Loetschberg-Goppenstein e Furka-Oberwald - os principais do país - ficaram fechados hoje. "Provavelmente, serão reabertos amanhã", disse um porta-voz do Ministério dos Transportes suíço.
Na Holanda, a tensão diminuiu bastante hoje. As águas do Rio Maas começaram a baixar mais rapidamente do que as autoridades imaginavam. Diques inaugurados recentemente evitaram a repetição das desastrosas inundações ocorridas na região entre 1993 e 1995.
Na Turquia, um vazamento de óleo combustível provocou uma mancha negra no litoral de um bairro luxuoso localizado no Bósforo nesta quarta-feira, depois de um navio petroleiro de registro russo se partir em dois no estreito que corta a cidade de Istambul.
Autoridades turcas disseram não poder informar quanto óleo foi derramado no mar, mas informaram que o combustível não estava mais vazando.

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