Lucinéia Parra
De Maringá
O vendaval que atingou a zona rural de Marialva (17 quilômetros a leste de Maringá) no último domingo causou prejuízos de mais de R$ 1,5 milhão só com as lavouras de uvas finas. Segundo o secretário de Agricultura do município, Lindalvo José Teixeira, o que atingiu o município foi um ‘tornadinho’ e a estimativa é de que 80 hectares de lavouras de uva tenham sido totalmente ou parcialmente destruídos.
Os ventos alcançaram aproximadamente 100 quilômetros por hora e destruíram, além das lavouras, telhados de residências e postes de iluminação elétrica na área rural. O vendaval ocorreu na manhã de domingo. Em uma propriedade rural, os telhados de um barracão de máquinas e de uma casa foram totalmente destruídos. O vento levou as telhas de amianto e de zinco a mais de 50 metros de distância.
O vendaval atingiu apenas uma faixa próxima ao distrito de Aquidabam. Em alguns casos, conforme Teixeira, os parreirais terão que ser substituídos.
Com esse vendaval, agrava-se ainda mais a situação dos produtores de uva de Marialva. A previsão, para a safra deste ano, já era de prejuízos de aproximadamente R$ 6 milhões, em função da estiagem e do período prolongado em que se registraram temperaturas de 35 graus centígrados durante o dia e 15 graus de madrugada. ‘‘A quebra de safra seria de aproximadamente 40%, mas depois do vendaval a estimativa é de que seja bem maior.’’
Em todo município, existem cerca de 700 produtores de uva e um total de 1.300 hectares da cultura. A cidade é conhecida na região como a capital da uva. Estufas de tomate e pepino também foram destruídas pelo vendaval. Na região atingida, o vento derrubou nove postes de iluminação.
A Fazenda Carrera foi a mais atingida na região. O prejuízo, conforme levantamento preliminar, pode chegar a R$ 70 mil. O vento forte arrancou o telhado do barracão de máquinas e danificou uma colheitadeira, uma semeadeira e dois tratores. Na casa onde moram os funcionários Vera Lúcia Pereira, 29 anos, e Luiz Cícero Fracasso, 40, o vendaval destruiu totalmente o telhado e os móveis. Na casa sede e numa segunda casa, onde também moram funcionários, o telhado foi parcialmente destruído.
Vera Lúcia conta que o vendaval ocorreu por volta das 8 horas e durou poucos minutos. ‘‘Estava lavando louça quando ouvimos o barulho das telhas. Em questão de segundos a casa já não tinha mais telhado e eu e meu marido só pensávamos em proteger nossos filhos’’. Segundo ela, a sensação era de que até as paredes iriam cair. ‘‘Nos protegemos com colchões e ficamos num cantinho parados até o vendaval passar.’’ Conforme Vera Lúcia, a maioria dos móveis foi danificada. Ela, o marido e os filhos estão morando provisoriamente na casa de amigos em uma fazenda próxima.Ventos de quase 100 quilômetros por hora destruíram cerca de 80 hectares de uva, destelharam casas e danificaram máquinas agrícolas
James NegriniMinutos de pânicoMoradores da zona rural tiveram casas e lavouras destruídas pelos ventos que atingiram a região

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