Vendaval atinge 110 municípios no Sul
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domingo, 20 de setembro de 1998
Estanislau Maria Agência Folha 
Levantamentos feitos no fim-de-semana sobre o vendaval que passou pela região Sul, na última sexta-feira, elevaram para 110 o número de municípios atingidos pelos ventos de mais 90 km/h e chuvas de granizo no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul os municípios de Pelotas, Rio Grande e Vacaria decretaram estado de calamidade pública e outros 51 municípios, situação de emergência. Até a tarde de ontem a Defesa Civil não tinha números de desabrigados.
Em Santa Catarina, 48 municípios foram atingidos pelo vendaval que derrubou 13 torres da Eletrosul (Centrais Elétricas do Sul do Brasil) e duas da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), na região de Campos Novos (Meio-Oeste, Estado).
Mais de 30 técnicos trabalhavam na recuperação das torres. As empresas estimaram em cinco dias a conclusão do trabalho. Pelo menos 600 famílias estão sem luz e há cerca de 2.000 desabrigados no Estado. Não houve cortes maiores de energia, porque a Eletrosul desviou a rota por outras torres. Para evitar sobrecarga, a empresa orientou os consumidores a economizar no horário de pico - entre 18h e 20h30. No Paraná, cerca de 1.200 casas ficaram destelhadas em 11 municípios, sobretudo na região Oeste do Estado. Três Barras do Paraná foi o município mais atingido e recebeu 6.000 telhas da Defesa Civil do Estado. Nos três Estados, a ventania e a chuva de granizo provocaram perdas na agricultura (ainda não calculadas), derrubaram e destelharam casas, cortaram energia elétrica e telefones e arrancaram postes e árvores. Até às 17h de ontem não havia registro de mortos ou feridos graves.
Em Campos Novos (SC), uma indústria de papel e papelão teve o teto arrancado, 30 casas de madeira foram derrubadas e outras 425 atingidas. Na madrugada do último dia 13 um vendaval semelhante derrubou parte de um hangar no aeroclube de Lages, danificando dois aviões. Dois homens morreram - um atingido por raio e outro eletrocutado na fiação de um poste arrancado pelo vento.
Segundo a Meteorologia, os vendavais foram provocados pelo choque de massas de ar frio, vindas da Argentina, com uma de ar quente, originária do Oceano Atlântico, estacionada sobre a região. O meteorologista Clóvis Corrêa, do Climerh (Centro Integrado de Meteorologia e Recursos Hídricos de Santa Catarina), explicou que a massa quente, menos densa, portanto mais leve, desloca-se para cima na atmosfera. A massa fria ocupa o espaço deixado, criando grandes nuvens verticais chamadas cumulus nimbus, que atingem mais de dez quilômetros entre a base e o topo. Esse tipo de nuvem carrega uma enorme energia internamente e provoca chuvas de granizo, trovoadas, ventos fortes e muitas rajadas, disse Corrêa.
O final de semana foi de frio e chuva, mas não houve novos vendavais. Para os próximos dias, a Meteorologia prevê tempo nublado, frio e com chuvas fracas.


