Vendas reais da indústria caem 2,98% em fevereiro
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 13 (AE) -Pelo quinto mês consecutivo, as vendas reais da indústria caíram, segundo os indicadores industriais coletados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em fevereiro. A queda foi de 2,98% na comparação com janeiro (-1,24% no resultado dessazonalizado). No ano, o faturamento do setor acumulou uma redução de 3,02%.
Os mesmos indicadores mostram que também a oferta de emprego caiu em fevereiro. Essa redução, segundo os técnicos da CNI, vem ocorrendo há 29 meses - desde outubro de 1996 -, com a única exceção de maio de 1998, quando registrou 0,13%. A queda em fevereiro de 99, em relação a janeiro, foi de 1,10%, piorando um pouco no índice dessazonalizado, que passa para 1,28%.
Desde a moratória da Rússia, em agosto de 98, o total de empregos na indústria já teve uma redução de 5,5%. Em consequência do desaquecimento do mercado de trabalho, o total de salários pagos voltou a cair em 99: -5,65% em janeiro e -4 85% em fevereiro. Com isso, a redução acumulada foi de 10,2%, fazendo com que o indicador seja o mais baixo desde fevereiro de 94.
Conjuntura - O presidente da CNI, Fernando Bezerra, disse que a pior fase da crise econômica já passou, mas alertou que não se pode criar a ilusão de que haverá um crescimento rápido da economia e a reversão do desemprego. Segundo Bezerra, deverá acontecer uma recuperação lenta da economia nos próximos meses, com melhora na geração de emprego.
Ele disse que a CNI está reavaliando seus indicadores econômicos para este ano, em função das alterações provocadas pela queda da inflação e pela estabilização do real frente ao dólar.
Bezerra expressou a expectativa de que a inflação fique entre 10% e 12% e observou que foi isso que a CNI previra inicialmente, com tendência de queda. A queda do PIB, segundo Bezerra, não deverá ficar em 4%, e sim entre 2% e 3%. Os juros reais da economia, de acordo com a expectativa da indústria, deverão fechar o ano em torno de 10% (taxa Selic).
A expectativa da CNI em relação à taxa de câmbio é de que ficará em torno de R$ 1,65. Quanto às exportações, Bezerra disse que a CNI mantém a previsão inicial de que haverá um superávit na balança comercial de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões. "Os US$ 11 bilhões programados pelo governo nunca serão alcançados", afirmou.


