São Paulo, 03 (AE) - Após quatro meses consecutivos de retração, a economia vai encerrar maio com sensível recuperação. Na terceira quadrissemana do mês, o Indicador de Movimentação Econômica (Imec-Fipe/Estadão) registrou alta de 3,05% na Grande São Paulo. O resultado mostra que os juros ainda altos cobrados pelo varejo não impediram o consumidor de ir às compras tanto para o Dia das Mães como nas semanas seguintes.
O principal responsável pelo resultado de maio foi o volume de consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e ao Telecheque, que aumentou 8,35%. Também foram significativas a movimentação de veículos nos pedágios (mais 4,25%), as viagens em ônibus intermunicipais (alta de 9,48%) e em vôos do Aeroporto de Congonhas (mais 4,43%).
O mês começou com uma pequena elevação, de 0,32%, mas o movimento iniciado por conta do Dia das Mães se manteve nas semanas seguintes, ajudando a puxar todo o ritmo de atividade para cima, explica Zeina Latif, pesquisadora da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e técnica do Imec. O ritmo de crescimento foi bastante acelerado, destaca, lembrando que, depois dos 0,32% da primeira semana, a segunda terminou com uma alta de 1,69% e a terceira ficou em 3,05%.
"O Dia das Mães foi atípico, teve um movimento muito forte
superior ao de outros anos", avalia Zeina. O Imec deve encerrar maio com um crescimento muito próximo aos 3% registrados na terceira quadrissemana. A partir daí, diz Zeina, a tendência é de taxas mais modestas de crescimento por duas ou três semanas. O consumo de energia elétrica caiu 1,32% e acumula quatro semanas seguidas de retração. Este pode ser um indicador de que o fôlego da economia pode ficar restrito a maio. "Essa queda contínua em energia pode estar indicando que a alta não vai sustentar-se no médio e longo prazos", pondera Zeina. A terceira quadrissemana de maio ficou 4,77% abaixo da mesma semana de 1998 e no acumulado do ano o Imec está 4,44% inferior.
Também indicaram queda a presença de passageiros em ônibus urbanos (-2,34%) e no metrô (-0,35%) e o consumo de combustíveis (-3,85%).

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