São Paulo, 19 (AE) - As vendas dos supermercados brasileiros no ano passado tiveram queda de 2,70% em relação a 1998, em números deflacionados pelo IGP-DI/FGV. O setor comercializou, em valores absolutos, R$ 60,12 bilhões. As vendas reais ficaram em R$ 54 bilhões (R$ 1,5 bilhão a menos do que o valor registrado em 98). Este foi o pior ano para os supermercados desde o início do Plano Real, segundo a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras). De 1994 até hoje, somente em 1997 o setor tinha apresentado queda, de 0,27%.
O resultado do ano passado foi amenizado com as vendas de dezembro. A comercialização nos supermercados cresceu 41,59% naquele mês em relação a novembro de 1999. No entanto, os ganhos foram inferiores se comparados com dezembro de 1998 - queda de 0 81%. "O aumento de dezembro em relação a novembro pode ser explicado pelas vendas de Natal e fim de ano", segundo a pesquisa da Abras.
Apesar da retração das vendas de 99 na comparação com 98
o mês de dezembro do ano passado, o mais importante para o setor, registrou um saldo superior ao de anos anteriores. Desde 1996 o crescimento médio de dezembro sobre novembro girou em torno de 37%.
Porém, o aumento, avalia a Abras, não foi suficiente para que os supermercados obtivessem um desempenho melhor em 1999. Para a associação, a queda nas vendas foi influenciada pelo menor poder de compra dos consumidores que vêm transferindo parte de sua renda para pagamento das tarifas dos serviços públicos, que foram reajustadas em 1999. Outra explicação, segundo a Abras, é que foi intensificado o processo de substituição de marcas e produtos sofisticados por similares mais baratos. Para 2000, a expectativa da Abras é que as vendas devam superar as do ano passado em torno de 4%.

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