Brasília, 20 (AE) - As vendas dos supermecados em março superaram em 6,58% as do mês de fevereiro. A informação foi dada pelo presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo. Segundo ele, porém, no trimestre as vendas dos supermercados ficaram 3,6% menores que no mesmo período do ano passado. Os dados preliminares da Abras do mês de abril mostram que há uma recuperação de 5% em relação a março, o que pode fazer com que o resultado global do quadrimestre seja 0,8% menor que em igual período de 1999. "Tirando os efeitos sazonais, as vendas estão nos mesmos patamares que em 1999 e isso é positivo porque mostra que vamos ter uma recuperação contínua até o fim do ano", afirmou. Ele acredita que a partir do próximo mês haja uma recuperação nas vendas dos supermercados que garanta faturamento superior ao de 1999, chegando a se igualar ao de 1998.
Segundo ele, embora em faturamento as vendas deste ano estejam no mesmo nível que no anterior, houve um aumento no número de itens vendidos. "Há uma migração do consumidor para produtos mais baratos", afirmou.
Araújo disse esperar que este ano os supermercados recuperem o nível de faturamento registrado em 1998. Naquele ano, o setor faturou R$ 55,5 bilhões. Em 1999, entretanto, o faturamento dos supermercados caiu 2,7% em relação ao ano anterior, fechando em R$ 54,6 bilhões.
Segundo Araújo, irão contribuir para a melhoria do desempenho dos supermercados a redução das taxas de juros e o aumento da renda em razão da elevação do valor do salário mínimo e sua flexibilização nos Estados, aliados à queda do nível do desemprego. Além disso, informou o presidente da Abras, os fornecedores estão procurando oferecer produtos com preços mais baixos. "Está havendo uma mudança no perfil dos fornecedores e do varejo para adequar o desejo dos consumidores com os aspectos macroeconômicos e isso vai estimular a demanda", afirmou.
O presidente da Abras não vê perspectivas de aumento dos preços no curto prazo (o primeiro semestre). Segundo ele, quando houve a desvalorização do câmbio o setor varejista segurou os preços, negociando as tabelas com os fornecedores. O resultado, afirmou, foi a criação de uma "bolha" com um estoque de reajustes reprimidos que obrigaram a indústria a se acomodar a uma nova situação. Para ele, aumentar os preços agora irá resultar na redução das unidades vendidas. "E isso é péssimo", disse. A maior parte das empresas, informou, terão que procurar um ganho de eficiência para reduzir os custos em vez de repassar a "bolha" para os preços.
José Humberto Araújo acredita que a tendência agora é manter os preços estáveis. Para ele, não há risco de aumento de preços dos alimentos pelo menos no primeiro semestre. O seu raciocínio é que quando o dólar estava a R$ 1,85, havia uma pressão da indústria para aumentar os preços. Como o dólar está mais baixo e tem se mantido na média em R$ 1,75, há um desestímulo por aumentos de preços e acalma o mercado. "A manutenção do dólar nesse patamar é fundamental para a a estabilidade dos preços", afirmou.

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