Vendas do setor eletroeletrônico caem 6% no primeiro semestre
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 10 (AE) - As vendas do setor eletroeletrônico brasileiro caíram 6% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. A causa foi a paralisação temporária dos negócios que se seguiu à desvalorização do real, em janeiro, disse hoje o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Benjamin Funari. Na próxima quinta-feira ele levará ao Ministério do Desenvolvimento um projeto para estimular a substituição de importação de componentes financiado pelo BNDES.
De acordo com Funari, o desempenho foi pior no primeiro trimestre, quando a mudança no câmbio deixou as indústrias sem saber que preço estipular para seus produtos. De abril a junho a situação melhorou um pouco e as vendas cresceram 8% em relação a janeiro-março.
Mesmo assim, no acumulado dos seis meses o resultado foi especialmente ruim para os segmentos de equipamentos industriais
que recuou 14%, e de informática, onde a queda foi de 10%. No semestre as 750 indústrias do setor no País eliminaram 7,5 mil empregos e encerraram junho com 134,5 mil postos de trabalho, 5% a menos do que em 31 de dezembro de 1998.
O empresário disse estar "esperançoso" com o segundo semestre deste ano. A entidade projeta um crescimento de 28% em relação aos primeiros seis meses, permitindo pelo menos "empatar" as vendas com 1998.
A melhora viria pelo aumento dos negócios na área de informática, com os investimentos para a solução do "bug" do milênio. Também incluiria as telecomunicações, via retomada de aportes em infra-estrutura associada à determinação da Anatel para que as operadoras, em condições iguais de preço, qualidade e prazo, dêem preferência aos fornecedores instalados no País.
O presidente da Abinee informou ainda que o saldo da balança comercial do setor no primeiro semestre foi US$ 3,3 bilhões negativo, 11% menor do que no mesmo período do ano passado. As exportações, impulsionadas pelo segmento de informática, cresceram 1% e somaram US$ 1,087 bilhão. Já as importações diminuíram 8%, para 4,397 bilhões, devido à desvalorização do real que aumentou a competitividade das empresas locais.
Para o acumulado do ano, a estimativa da entidade é que a balança comercial do setor feche ao redor de US$ 6,6 bilhões negativos, contra o déficit de US$ 8 bilhões em 1998. Este cálculo inclui uma expansão de 6% nas vendas externas de janeiro a dezembro, para US$ 3,2 bilhões, e uma retração de 11% nas compras no exterior, para US$ 9,8 bilhões.
Substituição - Segundo Funari, a Abinee vai entregar na próxima quinta-feira (12) ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior um estudo para estimular a substituição de importações de eletroeletrônicos. Ele explicou que a idéia é criar linhas especiais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar aquisição de ferramental, capital de giro e clientes de pequenas e médias empresas do setor.
Conforme o empresário, a capacidade ociosa da indústria eletroeletrônica chega a 35% no segmento de informática. Por causa disto, o setor poderia reagir rapidamente a novos estímulos com investimentos fixos relativamente baixos, comentou.
A Abinee também está trabalhando pela prorrogação da Lei de Informática, que estimula a produção local e assim "ajuda a balança comercial a respirar", disse o diretor regional da da entidade, Gilberto Machado. De acordo com a lei, de 1991, os produtos de informática e telecomunicações fabricados no Brasil deixam de pagar Imposto de Importação de 15% a 25% e IPI de 15%, em troca do investimento de 5% do faturamento em pesquisa na própria empresa e em universidades ou institutos especializados.
A regra vale até outubro e há projetos tramitando no Congresso que reduzem a redução do IPI e direcionam os benefícios para determinadas regiões (Centro-Oeste e Nordeste). A Abinne teme que, em caso de mudança da lei, as empresas multinacionais passem a importar equipamentos ao invés de produzi-los no Brasil.
"São 250 empresas que empregam 30 mil pessoas e exportam US$ 700 milhões por ano que estão embaixo desta lei", disse Funari. O vice-presidente executivo da entidade, Sérgio Galdieri, explicou que a maior resistência à manutenção dos incentivos é do Ministério da Fazenda, devido à renúncia fiscal de R$ 2,3 bilhões registrada desde 1991.
Ele argumenta, entretanto, que no mesmo período o recolhimento de impostos federais por parte das empresas que estão no País estimuladas pela lei alcança R$ 4,7 bilhões. Além disso, ele apresenta outros R$ 2,4 bilhões investidos em pesquisa e desenvolvimento desde 1993.


