Rio, 10 (AE)- As vendas do comércio varejista do Rio subiram 15,5% em março deste ano, na comparação com fevereiro, embaladas pelo aumento do faturamento de supermercados, farmácias, lojas de eletrodomésticos e concessionárias de automóveis. O bom desempenho, porém, deveu-se basicamente ao fato de março ter contabilizado cinco dias úteis a mais do que fevereiro, segundo os consultores responsáveis pela Pesquisa Mensal do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A comparação com prazos mais longos ainda registra índices negativos: -2,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, e -9,8% no acumulados dos últimos 12 meses em relação ao período imediatamente anterior. Apesar disso, a desaceleração nas vendas está ocorrendo a um ritmo mais lento, segundo o consultor Nilo Lopes de Macedo, que já é um bom sinal.
"Estamos tendo fatores muito favoráveis: a inflação não disparou, os juros continuam a cair, a taxa cambial parece estabilizada num patamar razoável e o desemprego, apesar de alto
ainda não chega a assustar", comenta.
Caso a conjuntura continue nesta direção, ele acredita que este ano "tende a registrar uma suave melhora no comércio". Além do "fator calendário", que favoreceu os índices de março, ele destaca como indutores do resultado positivo a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis e a resistência dos comerciantes de móveis eletrodomésticos em repassar integralmente o aumento dos juros para seus financiamentos.
Em crise por causa do desaquecimento do consumo, os lojistas preferiram arcar com parte do prejuízo, reduzindo suas margens de lucros. "Fica muito clara no acompanhamento das vendas, a luta dos comerciantes para impedir que a situação fique mais crítica", diz Macedo. O mesmo não acontece com relação às taxas de emprego no comércio, que vêm apresentando trajetória declinante desde 1995.
Guilherme Telles, consultor que também trabalhou no estudo, destaca que os empregos criados no último trimestre de 98 no comércio do Rio, especialmente nas lojas de vestuário e de artigos de uso pessoal, desapareceram no início deste ano. Os dois únicos setores que ainda estão registrando admissão de pessoal - postos de combustíveis e lojas de material de construção - estão contratando a um ritmo cada vez mais lento.
De qualquer forma, ele considera que, apesar do desaquecimento, as taxas negativas apresentandas pelo comércio varejista de uma maneira geral têm sido menos intensas do que as do ano passado. Segundo ele, o desemprego no comércio fluminense este ano deve fechar com o mesmo índice do ano passado, em torno de 5%.

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