São Paulo, 29 (AE) - O carnaval nem começou e o clima entre os lojistas da Rua 25 de Março, centro da Capital, já é de quarta-feira de cinzas. Os efeitos de um ano de desvalorização cambial, das chuvas que não deram trégua durante o mês e do desemprego acentuado, segundo lojistas, conspiraram para afastar o folião das compras.
Há 74 anos no endereço, o Rei do Armarinho, que atende à demanda de blocos e pequenas escolas, desta vez constatou uma movimentação bem abaixo da habitual. O diretor-comercial, Sérgio Afif Sarruf, diz que as pessoas fugiram de produtos mais caros e aumentaram o volume de compras de artigos mais baratos. "Ainda assim, as vendas deverão cair 20%, em relação ao ano passado", assegura. "Em 1999 o que tínhamos de plumas, vendíamos", exemplifica. Este ano vai sobrar boa parte do estoque.
De acordo com os tíquetes de caixa, as vendas na loja foram 15% menores este mês do que em fevereiro de 1999. Segundo Sarruf, o movimento é fraco e a expectativa positiva volta-se, agora, para o sábado. Uma coisa é certa para os lojistas: o consumidor que tinha de adquirir artigos para confeccionar a fantasia já o fez. Assim, daqui para a frente as vendas serão de acessórios e fantasias prontas. Exemplos: perucas de rafia ou metalóide, por R$ 2,30, máscaras com penas a R$ 2,25 e saias e colares havainos. A gerente da Big Store, Maria de Lourdes Queiroz, diz que não há gente na rua. "Quando há, entram famílias com dez pessoas, mas só compram dois itens."
Frustração - A baixa frequência de consumidores às lojas deixou os comerciantes ainda mais desorientados, porque tinham a seu favor o fato de o carnaval deste ano estar mais distante do Natal. Com isso, iriam ter mais tranquilidade para acabar com os estoques, mas na prática o calendário falhou.
A quatro dias do carnaval, o gerente-geral da Vaz Martins, Ricardo Vaz, estima vendas 50% inferiores em relação ao carnaval de 1999. Ele comprou 5 mil fantasias infantis, vendidas a R$ 15 cada, e ainda tem 2 mil no estoque. "No ano passado fazia três reposições diárias de 300 peças por dia", observa. "Este ano faço uma de 50, quando faço." Ele espera reduzir esse estoque pela metade até sábado, mas não está muito seguro. "Em vez de comprar fantasias, as pessoas estão reformando e reaproveitando as antigas."
Para o presidente da União dos Lojistas da 25 de Março, Rezkalla Tuma, não há motivo para vender uma imagem negativa das vendas na região. Segundo ele, os empresários não podem basear os resultados apenas nas vendas de última hora, pois as grandes compras tiveram início em novembro. "As vendas deverão ser 10% superiores às de 1999, quando atingiram R$ 30 milhões."

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