São Paulo, 22 (AE) - O volume de vendas de carros este mês deverá ser 10% inferior ao de maio, segundo previsão da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). O congelamento de preços dos carros pequenos e médios nacionais até setembro - quando expira o acordo emergencial - e a expectativa de queda de juros esfriaram ainda mais o mercado, que parou desde o último reajuste de preços, de até 9,98%, no final do mês passado.
"Ninguém engoliu este aumento", destacou o presidente da Associação dos Lojistas do Auto Shopping SP Leste (Alauto), Mauro Saddi, que representa os 15 concessionários do Auto Shopping, em Aricanduva.
A crise que afetou o setor desde a elevação dos preços foi o principal tema da reunião do conselho da Fenabrave hoje. "O mercado nunca aceitou o último aumento", afirmou o presidente da Fenabrave, Hugo Maia.
Para Maia, as "notícias especulativas" sobre acordo emergencial, redução de impostos e queda de juros provocaram retração maior nas vendas. "Tem gente que acha que a renovação da frota será a salvação da lavoura", disse o presidente da Fenabrave.
O programa de renovação da frota prevê a criação de incentivos para troca de carros velhos. Mas, segundo Maia, o sobe-e-desce dos impostos, por conta do acordo automotivo, e expectativa da renovação da frota - negociação que mal começou - confundem o consumidor.
Na maior parte dos modelos, metade do reajuste foi repassada nos preços até agora. Para Saddi, o quadro de junho é muito mais grave que o de maio porque no mês passado havia ainda carros a preços da tabela antiga no estoque das concessionárias.
Dólar - A situação tende a se agravar no caso dos carros importados a partir do dia 30, quando as marcas deverão alterar as cotações do dólar. Com a alta da moeda estrangeira, a maior parte dos importadores deverá elevar os valores com os quais está trabalhando. Hoje é possível encontrar veículos com valor em dólar convertido até a R$ 1,13 - caso da Besta, da coreana Kia. A Mercedes-Benz está operando com dólar a US$ 1,66.
Na maior parte dos casos, a cotação varia conforme o modelo. A norteamericana Chrysler, por exemplo, está adotando R$ 1,35 para quase toda a linha, mas faz a conversão a R$ 1,22 para o Jeep. Saddi aposta que a cotação, a partir do dia 30, vai passar para R$ 1,50, o que significa um aumento de 10% na maior parte dos preços dos carros importados.
Volkswagen - Mas em pleno mercado desaquecido, há falta de carros na rede Volkswagen. O consumidor não consegue encontrar Gol e Parati com motores 1.6, 1.8 e 2.0 . O serviço de atendimento da Volkswagen já recebeu queixas de quem peregrinou pelas revendas e está esperando há um mês - data do lançamento da chamada geração 3 - por um carro com qualquer uma destas motorizações.
É o caso do coordenador de segurança Rafael Santos, que não conseguiu até agora comprar uma Parati 1.8 da geração 3. Ele telefonou para todas as concessionárias Volks da cidade de São Paulo. O diretor operacional da Automasa, Antonio Carlos Padula, disse que até agora só vem recebendo as versões populares, com motor 1.0 do Gol e Parati.
Segundo o consultor de negócios da Primo Rossi, Carlos Alencar, a revenda tem uma lista espera, principalmente do modelo Parati 1.8. A Volkswagen não explicou os motivos da falta destes carros.

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