São Paulo, 05 (AE) - As vendas de automóveis e comerciais leves no atacado (das fábricas para as concessionárias) somaram 121.755 unidades em setembro, um aumento de 4% em relação ao mês anterior. Como as vendas no varejo (ao consumidor) ficaram próximas de 100 mil unidades, segundo avaliação dos revendedores, as lojas estão com estoques suficientes para mais de um mês.
No início de setembro, as revendas já acumulavam cerca de 80 mil veículos no estoque. Como no momento do faturamento feito pela montadora o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) estava reduzido, algumas concessionárias vão operar algum tempo com preços sem os reajustes médios de 10% a 12% anunciados a partir de sexta-feira. Mas algumas lojas já começaram a trabalhar ontem com a nova tabela, embora ofereçam descontos em alguns produtos.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, calcula que neste mês as vendas deverão cair para cerca de 80 mil unidades no varejo. A General Motors já está produzindo menos este mês. A empresa reduziu a carga de trabalho de 42 para 40 horas semanais para "adequar a produção ao mercado."
Na quinta-feira, os metalúrgicos prometem paralisar a produção em todas as montadoras e algumas fábricas de autopeças na região do ABC e em São Paulo. O protesto faz parte do "festival de greves" iniciado há duas semanas para forçar as empresas a negociar um contrato coletivo nacional, com garantias similares para os trabalhadores de todas as empresas do setor.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, disse que, por volta das 10 horas, um grupo de trabalhadores realizará manifestação em frente da sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que se vem recusando a discutir o contrato nacional.
Liderança - Em outubro, a Fiat conseguiu a liderança no mercado de automóveis e picapes, com a comercialização de 32.356 unidades, ante 31.887 da Volkswagen. A General Motors vendeu 28.194 veículos, a Ford 14.414 e a Renault 2.752. As demais montadoras e os importadores comercializaram 12.152 unidades. Os números completos, incluindo caminhões e ônibus, serão divulgados amanhã pela Anfavea.
A Volkswagen foi a última entre as principais montadoras a divulgar a tabela completa de reajustes por conta do fim do acordo de emergência que manteve os preços reduzidos por sete meses. O aumento médio ficou em 12,5%. O maior índice, de 12,6%, ficou para o Gol Special, o mais barato da marca, que está custando R$ 15.136,00.
O novo Gol 1.0 (geração III) subiu 12,45% e passou a custar R$ 16.913,00. A versão com motor 1.6 teve reajuste de 11 92% e custa agora R$ 23.753,00. A Parati 1.0 subiu 9,89%, passando para R$ 22.087,00. Modelos importados e a Kombi não tiveram aumentos. O preço do Santana também não foi alterado, por enquanto.
As montadoras podem sofrer nova pressão de custos nos próximos dias por conta do aumento médio de 9% no preço do aço não plano. Os fabricantes de autopeças já estão recebendo as novas encomendas com o reajuste e, segundo ele, terão de repassá-lo às suas clientes.

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