Vendas de última hora não se confirmam e Federação do Comércio registra queda no movimento
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sexta-feira, 24 de dezembro de 1999
por Liliana Pinheiro e Denize Bacoccina 
São Paulo, 24 (AE) - Boas vendas em alguns setores, péssimos resultados em outros. A recuperação da economia neste último trimestre, impulsionada pelas vendas de fim de ano, não chegou para todos. Boa parte dos comerciantes da Rua 25 de Março e redondezas não pensava nos lucros hoje, mas no que fazer com o estoque. "Para o setor de perfumaria, o movimento caiu pela metade em relação ao ano passado", disse o gerente da perfumaria A Toca, Ademir Salvioni. Segundo ele, o aumento de preços dos cosméticos e perfumes importados, decorrente da liberação do câmbio, afastou os consumidores.
Por enquanto, os dados do comércio ainda são contraditórios. Algumas associações acusam aumento de vendas, enquanto outras registram queda. De qualquer maneira, era visível hoje o esvaziamento das ruas da cidade. Nos shoppings, a situação era melhor. "O movimento está ótimo", disse o superintendente do MorumbiShopping, Claudio Sallum. O número de cupons trocados na promoção para o sorteio de carros cresceu 8 5% em relação ano passado.
A Associação Comercial de São Paulo registrou ontem um número recorde de consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), depois de um resultado abaixo do esperado nos primeiros dias da semana. Com isso, o crescimento em relação ao ano passado, acumulado em 0,3%, deve subir para 1%, ainda abaixo da expectativa anterior. Sondagem realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) mostrou que as vendas do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo, às vésperas do Natal, registraram queda de 3,3% em comparação com o mesmo período de 98.
Os segmentos que mais contribuíram com a variação negativa foram os bens duráveis (-6,2%) e o comércio automotivo (-14,2%). A pesquisa foi feita em parceria com a Agência Estado e ouviu 250 empresários de vários setores do comércio varejista de São Paulo. Para 81,57% dos entrevistados, a queda já era esperada, enquanto 18,43% dos consultados esperavam aumento nas vendas. Festas - Um setor que prometia recuperação e acabou ficando no prejuízo foi o de tecidos de qualidade, para vestidos de noite e de festas de réveillon. A Chanel, no centro de São Paulo, estocou 2 mil metros de tecidos finos para oferecer ao consumidor a partir de novembro, apostando na procura por conta da chegada do ano 2000.
Hoje, a discussão na loja era o que fazer com os cerca de mil metros que sobraram. O gerente Flávio Adoíno de Freitas abriu as portas às 8 horas e não vendeu nada até às 11 horas. "Apesar da péssima qualidade de muitos produtos chineses e coreanos, ainda são esses produtos que o povo está conseguindo comprar, por causa do desemprego nas famílias e da paradeira dos salários", comentou.
Ambulantes - O esvaziamento do comércio hoje decepcionou camelôs
como Jaime de Oliveira, que depois de cinco horas na Rua 25 de Março confessava não ter vendido um único brinquedo de pelúcia. "Gastei todo o meu dinheiro comprando 20 bonecos para vender esta semana e até agora só consegui vender oito", reclamou. Seu erro foi optar por uma mercadoria melhor (bonecos inspirados no programa Teletubbies, em tamanho grande) vendida a R$ 20 a unidade. "Brasileiro não tem, hoje em dia, R$ 20 para comprar um brinquedo, essa é que é a verdade".


