São Paulo, 10 (AE) - Os altos preços dos importados - desde a última Páscoa - forçaram as importadoras a reduzir ainda mais seus pedidos externos. O varejo preferiu fazer suas compras no mercado nacional. Cerca de 95% dos produtos que chegarão à mesa do brasileiro, nesta Páscoa, serão nacionais e apenas 5% virão de fora - vinhos e bacalhaus. Os preços dos nacionais estarão, em média, 10% superiores aos de 1999 e os importados quase empatarão. A projeção é de que as vendas fiquem 10% acima do volume comercializado no ano passado. É bom lembrar que, na Páscoa passada, o bacalhau norueguês, por exemplo, foi oferecido a um preço 40% superior ao praticado no ano anterior. Azeites chegaram às gôndolas 70% mais caros e os vinhos franceses, portugueses e italianos subiram até 60%. As colombas chegaram a custar 20% a mais.
"A saída foi abastecer no mercado interno", afirma Jorge Lopes, gerente da tradicional Casa Santa Luzia. Neste ano, ao contrário dos demais, a Santa Luzia concentrou suas compras apenas em vinhos importados preferindo oferecer aos seus consumidores colomba, ovos de chocolates e carnes industrializadas nacionais. "Nem os chocolates virão de fora", ressalta.
Bacalhau - Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), confirma que os importados desapareceram das prateleiras. "Apenas o bacalhau terá acréscimo no volume de vendas em torno de 30%", calcula, explicando que os altos preços provocaram forte redução na importação na Páscoa de 1999, deixando o mercado desabastecido. Com a demanda os preços subiram. Neste ano, ao contrário, só a importação cresceu, enquanto os preços caíram 10% . As vendas, segundo Assaf, vão depender da temperatura. "Na Páscoa passada o calor atrapalhou a comercialização de ovos", lembra. Se o clima ajudar poderá haver um ligeiro acréscimo, prevê. A Páscoa é a segunda melhor data de vendas do ano para os supermercadistas.
Indústrias - A perspectiva de aumento nos negócios e levou a indústria a aumentar os investimentos e a incrementar a produção de produtos de Páscoa. "A Lacta elevou 10% seu volume de ovos", afirma Marcelo Luz, diretor de marketing. A empresa também investiu US$ 10 milhões na divulgação dos produtos, 20% acima do ano passado.
A Perdigão, que ocupa a vice-liderança de carnes industrializadas, também está otimista com o desempenho dos negócios neste período. "As vendas deverão ficar 8% acima, com destaque para aves", afirma Antônio Zambelli, diretor de marketing. Os investimentos subiram para R$ 400 mil ante os R$ 350 absorvidos na última Páscoa.
A Bauducco, líder na fabricação de colomba, não deixou por menos e colocou no mercado uma produção 15% superior. A Visconti, 2ª no ranking aumentou de 1,2 milhão de unidades de colomba para 1,5 milhão. "As vendas deverão crescer até 10% e o faturamento entre 8% e 10%", afirma Lopes, da Santa Luzia. O bacalhau, ressaltou, deixou de ser sazonal e é vendido ao longo do ano. "A estimativa é comercializar o mesmo volume da Páscoa anterior, 10 toneladas", afirma.
Importadora - A La Pastina Importadora e Exportadora Ltda., há 51 anos no mercado e uma das três maiores empresas do ramo no ano passado, reduziu as compras para Páscoa 30%, por conta da variação cambial. Com a estabilização de preços a empresa aumentou o volume de exportação apenas em dois segmentos: bacalhau e vinhos, retomando o mesmo nível de 1998.
"As compras de bacalhau somaram 220 toneladas e 55 mil caixas de vinhos", informa Celso Fernandes, diretor comercial. A Páscoa representa 10% da receita da La Pastina e, neste ano, a projeção é crescer 10% sobre queda de 30% registrada em 1999. Nesta época, há dois anos, o varejo já estava completamente abastecido, hoje o mercado está em compasso de espera. Das 220 toneladas de bacalhau importados da Noruega para esta Páscoa, a La Pastina vendeu cerca de 70%. "Não sabemos se o restante do estoque será desovado ao longo da semana", diz.
Vinhos - Para atrair a clientela, a importadora decidiu por uma promoção com descontos que vão até 10%. "Estamos oferecendo linhas de vinhos italianos por até R$ 12,00, enquanto o preço real é de R$ 15,00. A faixa de preço dos vinhos variam de R$ 12,00 a R$ 130,00 na La Pastina. O maior volume de vendas fica por conta do Baron DArignac que custa R$ 12,00", diz Fernandes. Os vinhos franceses, italianos e alemães são os mais procurados. O quilo de bacalhau também tem uma larga variação de preços, dependendo da qualidade do produto e chega a custar entre R$ 8,00 e 30,00 o quilo.

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