Vendas de pacotes turísticos crescem 27% no 1º semestre de 99
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sábado, 20 de novembro de 1999
Por Regina da Silva 
São Paulo, 20 (AE) - A indústria do turismo no Brasil não pára de crescer. Segundo dados da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), as vendas de pacotes no País aumentaram 27% no primeiro semestre de 1999 em relação ao mesmo período do ano passado. Outra pesquisa, feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na rede hoteleira do Rio de Janeiro, revela que, em agosto
durante a baixa temporada, 46 hotéis cariocas comemoraram a melhor taxa de ocupação dos últimos dez anos: 67%. Dois terços dos hóspedes eram brasileiros.
O choque cambial, segundo a FGV, deve estimular o ingresso de turistas estrangeiros no País que, em 1998, registrou um recorde: 4,8 milhões de pessoas, 69% a mais do que em 1997.
Para discutir o futuro do setor, a BSH Consultoria Hoteleira promove dias 6 e 7 de dezembro o III Seminário Internacional de Resorts, no Gran Meliá São Paulo Hotel, em São Paulo. O encontro contará com as presenças de 52 conferencistas de dez países que vão discutir estratégias para vender a imagem do Brasil aos mercados europeu e norte-americano, a importância de investidores institucionais para o incremento do turismo, o crescimento da demanda de resorts ( (complexo de hotéis com grande área de lazer) para turistas na terceira idade.
FUTURO - O III Seminário Internacional de Resorts abordará o futuro da indústria do turismo no Brasil cujo crescimento tornou-se expressivo desde 1994 por conta de investimentos governamentais para melhorar a infra-estrutura turística nacional. Um dos exemplos é o Programa de Desenvolvimento de Turismo (Prodetur) que injetou US$ 670 milhões no Nordeste para ampliar aeroportos, recuperar estradas e restaurar o patrimônio histórico.
Outros US$ 40,4 milhões foram investidos em infra-estrutura básica de vários Estados e municípios. A Embratur aplicou RS$ 40 milhões em ações de promoção e marketing para divulgar as atrações turísticas, segundo informações divulgadas pelos organizadores do evento.
De 1994 até o ano passado, o Brasil saltou do 43º lugar para a 29ª posição no ranking internacional de destinos turísticos, segundo dados da Organização Mundial de Turismo (OMT). Neste período, o número de turistas estrangeiros cresceu de 1,8 milhão para 4,8 milhões de pessoas. Em 1998, esses visitantes deixaram no País U$ 3,6 bilhões de divisas. Entre as cidades mais visitadas estão o Rio de Janeiro (30,2%), São Paulo (18,4%), Florianópolis (14%), Salvador (10,8%) e Foz do Iguaçu (8,9%).
De acordo com pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), o turismo doméstico brasileiro, desde 94, gerou uma renda direta de U$ 13,2 bilhões. Somadas as receitas diretas e indiretas, o setor faturou US$ 38 bilhões, quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB), criando cinco milhões de postos de trabalho no País.
Até 2003, a Embratur pretende investir US$ 1 bilhão em obras e ações para incrementar o ecoturismo e o turismo no Sul e no Pantanal. O objetivo da empresa é aumentar para 6,5 milhões o fluxo de turistas estrangeiros e para 57 milhões o número de turistas nacionais, gerando 500 mil novos empregos.
LAZER - Segundo dados da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), para 71% dos estrangeiros o lazer é o principal motivador para visitarem o Brasil, enquanto 77% dos brasileiros são adeptos do turismo doméstico. De acordo com a pesquisa, menos de um terço dos visitantes passam pelo País para realizar negócios e participar de convenções.
"O segmento de lazer é o que mais cresce no mundo e vem atraindo os maiores investimentos do setor hoteleiro", garante o presidente da BSH Consultoria Hoteleira, empresa organizadora do III Seminário Internacional de Resorts, José Ernesto Marino Neto. Apesar desta tendência, o Brasil apresenta pouca oferta de resorts. Juntos, esses complexos hoteleiros voltados para o turismo de lazer possuem em torno de 2,5 mil unidades habitacionais, contra 30 mil espalhadas pelo Caribe.
Embora concorra no mercado turístico dos 3 S - sun, sand and sea (em português sol, areia e praia) -, o País, em julho de 2000 contará com um empreendimento comum a países como Jamaica, Bahamas e Cuba. Será o projeto Costa do Sauípe, no litoral norte baiano, a 70 quilômetros de Salvador. Com 172 hectares, o projeto deve reunir 1.650 apartamentos em quatro hotéis cinco estrelas, um quatro estrelas e seis pousadas. A obra será administrada por redes como Superclubs, Sofitel e Renaissance e consumiu R$ 250 milhões. III Seminário Internacional de Resorts - Dias 6 e 7/12 no Gran Meliá São Paulo Hotel, em São Paulo. O encontro é dirigido a executivos e empresários de instituições financeiras, fundos de pensão, incorporadoras imobiliárias, investidores e profissionais do setor hoteleiro. Inscrições pelo fone (011) 258-5310. As palestras terão tradução para o inglês.


